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Baleias-jubartes viajam mais de 14 mil quilômetros, entre Brasil e Austrália

21/05/2026

Duas baleias-jubartes estabeleceram um recorde: elas viajaram mais de 14 mil quilômetros, entre os mares do Brasil e da Austrália. A jornada é descrita em um artigo publicado nesta quarta-feira (20) na revista Royal Society Open Science.
"É um fenômeno jamais documentado anteriormente", afirma a bióloga Cristina Castro, principal autora do estudo.
"Não é raro que um indivíduo ocasionalmente se desvie [de sua rota migratória], mas o que foi observado aqui vai muito além. Essas duas baleias atravessaram bacias oceânicas inteiras e foram observadas em duas áreas de reprodução distintas, separadas por milhares de quilômetros."
A bióloga da ONG Pacific Whale Foundation e seus colegas analisaram fotos para reconstruir a odisseia dos dois cetáceos.
"Cada baleia-jubarte tem um padrão único na face inferior da cauda. Uma combinação de pigmentação, formato, assim como eventuais cicatrizes ou marcas, próprias de cada indivíduo, como uma impressão digital humana", explica a pesquisadora.
Com a ajuda de um algoritmo de reconhecimento de imagem, os cientistas analisaram 19.283 fotos coletadas entre 1984 e 2005 na costa leste da Austrália e na América Latina. Depois, verificaram visualmente as possíveis correspondências e conseguiram identificar duas baleias presentes nas duas regiões.
A primeira foi fotografada pela primeira vez em 2007 na baía de Hervey, em Queensland, costa leste da Austrália. Ela foi vista novamente no mesmo local em 2013, antes de reaparecer em 2019, desta vez nas águas de Ilhabela, na costa do estado de São Paulo.
Essas duas áreas estão separadas por uma distância mínima em linha reta de cerca de 14,2 mil quilômetros. Como apenas os pontos de partida e chegada são conhecidos, é impossível saber o trajeto exato que a baleia percorreu, tampouco a distância total viajada.
O segundo cetáceo fez a viagem inversa. Foi fotografado pela primeira vez em 2003 perto da costa da Bahia, em Abrolhos, em um grupo de nove adultos. Décadas depois, em 2025, o espécime foi identificado na baía de Hervey, a 15,1 mil km de distância.
O recorde anterior havia sido estabelecido por uma baleia-jubarte entre a costa pacífica da Colômbia e Zanzibar, no oceano Índico, em um percurso de 13.046 quilômetros.
As baleias-jubartes do hemisfério Sul vivem em populações bem definidas e normalmente seguem as mesmas rotas migratórias ano após ano, entre áreas de alimentação em águas frias e seus locais de reprodução em regiões tropicais e subtropicais.
"As mães ensinam esses itinerários aos filhotes quando eles são jovens, de modo que essas trajetórias ficam profundamente enraizadas", diz Castro.
Os pesquisadores ofereceram algumas hipóteses para explicar o comportamento excepcional dos raros indivíduos que se desviam dessas rotas.
Entre eles, segundo a bióloga, estão mudanças oceanográficas que podem modificar os corredores migratórios, perturbações nas áreas de origem dos animais e a disponibilidade de alimento.

Fonte: Folha de S. Paulo

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