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Denúncias ambientais crescem 868% no Brasil e acendem alerta

21/05/2026

Às vésperas do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, o avanço das infrações ambientais no Brasil volta ao centro das discussões. Dados divulgados pelo Escavador revelam que o país encerrou 2025 com um crescimento de 868% no número de denúncias ambientais registradas, em um cenário marcado pelo aumento de processos relacionados à mineração, uso de agrotóxicos, poluição, licenças ambientais e áreas de preservação. O levantamento, apresentado pela plataforma na tarde da quarta-feira passada, 13 de maio, aponta que o Brasil contabilizou 367 mil denúncias ambientais ao longo do ano passado. O volume representa um salto expressivo em comparação a 2024, quando cerca de 37 mil processos haviam sido registrados no mesmo período. Na prática, o país passou a registrar dez vezes mais ocorrências ligadas a crimes ambientais em apenas um ano.
Em um território que reúne aproximadamente 851 milhões de hectares, segundo dados do IBGE, a pressão sobre os biomas brasileiros aparece entre os principais fatores de preocupação. Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Pampas e Amazônia integram a lista de áreas afetadas em meio ao avanço de atividades relacionadas à exploração de recursos naturais e ao uso do solo. O estudo do Escavador também inclui entre as categorias monitoradas temas como saneamento, reservas legais, gestão florestal, cadastro ambiental rural e preservação ambiental. Apesar da disparada observada em 2025, os números de 2026 indicam desaceleração. Entre janeiro e maio deste ano, o país registrou cerca de 21,9 mil denúncias ambientais, resultado bem inferior ao acumulado do mesmo período do ano passado, quando os registros ultrapassaram 90,8 mil processos. Somente em abril de 2025, os casos já haviam superado a marca de 12 mil denúncias, enquanto maio alcançou mais de 68 mil registros, algo que não acontecia havia três anos.
A análise mensal elaborada pelo Escavador mostra que a curva de crescimento começou a se intensificar justamente em maio de 2025, quando o número de processos saltou para 68 mil ocorrências. O pico foi atingido no mês seguinte, com mais de 134 mil denúncias ambientais registradas em junho. Entre julho e setembro, os índices continuaram elevados, variando entre 25 mil e 53 mil casos, antes de iniciarem um movimento gradual de desaceleração no último trimestre do ano. Para a Coordenadora Jurídica e DPO da plataforma Escavador, Dalila Pinheiro, a forte oscilação observada nos últimos anos reforça a necessidade de acompanhamento constante sobre os mecanismos de fiscalização ambiental no país. “A preocupação, neste momento, é compreender a volatilidade dos registros ambientais ao longo dos últimos anos. No entanto, a alternância entre picos e quedas no volume de denúncias pode indicar tanto maior capacidade de detecção quanto mudanças no comportamento das infrações e da fiscalização ambiental no país”, explica Dalila.
O levantamento também evidencia uma concentração significativa das denúncias na região Sudeste. Somados, Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro impulsionaram a região a ultrapassar a marca de 400 mil processos ambientais, consolidando o Sudeste como principal polo de ocorrências do país. Na sequência, aparecem Centro-Oeste, com 27 mil denúncias; Norte, com 18 mil; Sul, com 17 mil processos; e Nordeste, com 14 mil registros. No ranking estadual, Minas Gerais aparece com ampla vantagem sobre os demais estados, acumulando 365 mil processos ambientais no período analisado. São Paulo ocupa a segunda posição, com 26 mil denúncias, seguido por Mato Grosso, com 22 mil, além de Pará e Rio de Janeiro, ambos na faixa de 7 mil registros.
A diferença entre os estados chama a atenção. Enquanto Minas Gerais concentra um volume muito superior de ocorrências, unidades federativas como Piauí, com 261 registros, e Rio Grande do Norte, com 453, figuram entre os menores índices do país. Segundo Dalila Pinheiro, a própria dinâmica econômica mineira ajuda a explicar os números registrados no estado. “Em estados como Minas Gerais, a concentração de atividades ligadas à mineração, ao uso do solo e à exploração de recursos naturais ajuda a explicar parte do volume expressivo de denúncias registradas. Além disso, a presença de grandes polos industriais e de infraestrutura aumenta a pressão sobre áreas ambientalmente sensíveis, o que influenciou diretamente o número de ocorrências no estado”, comenta.
Ainda de acordo com a Coordenadora Jurídica do Escavador, o crescimento no volume de denúncias também demonstra uma sociedade mais atenta às questões ambientais e mais participativa nos processos de fiscalização. “O aumento da visibilidade das questões ambientais tem ampliado a capacidade de denúncia e de fiscalização social, começando pelo estado de Minas. Isso significa um cenário mais ativo de monitoramento, tanto por parte da sociedade quanto das instituições públicas”, conclui a especialista.

Veja as denúncias ambientais por estado entre 2023 a 2026 no CicloVivo

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