
08/10/2026
A empresa finlandesa de tecnologia de materiais Elementic apresentou o MO6, um revestimento de paredes produzido a partir de resíduos da indústria florestal. Em placas espessas e leves, com textura áspera e cor preta acinzentada, o produto é apresentado como o material de construção mais carbono-negativo do mundo. As moléculas de carbono representam 90% de sua composição química.
A matéria-prima utilizada é a lignina, uma substância presente na estrutura das plantas que ajuda a dar rigidez à madeira. Subproduto de madeireiras, ela é considerada de difícil aproveitamento e geralmente acaba sendo queimada para gerar energia. Para transformá-la em um novo material, a Elementic desenvolveu um processo patenteado e mantido em segredo, que remove impurezas como o oxigênio em um biorreator. O resultado é um composto altamente durável e resistente ao fogo. “É um material bastante desafiador, mas adoramos a lignina porque é uma matéria-prima muito rica em carbono”, disse Johanna Normiala, gerente geral da MO6, ao portal Dezeen.
“Em nosso processo, o conhecimento técnico consiste em saber como transformá-la em algo útil”, continuou ela. “Criamos com ela uma espécie de massa que assamos como um bolo e, no final, obtemos algo duro, resistente e durável, mas leve.” A MO6, que se descreve como uma “marca de design de interiores premium”, já fornece produtos para projetos como um spa em construção em Paris. “Estamos muito interessados em ajudar ou apoiar nossos clientes, seja qual for a área de aplicação, mas eu diria que o interesse principal está na área de hoteis e restaurantes, acho que é aí que este material se encaixa muito bem”, disse Normiala.
Por enquanto, as placas são comercializadas apenas para espaços internos secos, mas a Elementic pretende ampliar suas possibilidades de uso e já desenvolve tijolos. “Existe um enorme potencial nisso, não apenas na parte de interiores, que é atualmente nosso principal negócio, mas também, no futuro, em uma escala muito maior na construção civil”, disse Normiala. As telhas MO6 Eternal podem ter acabamento mais áspero ou mais liso e também receber revestimento. Segundo a gerente da marca, suas propriedades térmicas e acústicas são comparáveis às da madeira, embora a empresa espere aprimorá-las com ajustes no processo de fabricação.
A chamada negatividade de carbono ocorre quando algo remove da atmosfera mais dióxido de carbono equivalente do que emite. No caso dos materiais de construção, as emissões estão geralmente associadas à fabricação e ao fim da vida útil. A capacidade de armazenar carbono tem atraído a atenção dos arquitetos nos últimos anos, diante das grandes emissões relacionadas à construção de edifícios. Nesse contexto, a madeira voltou a despertar interesse, justamente pelo carbono que as árvores retiram da atmosfera e armazenam durante seu crescimento.
Segundo a MO6, cada quilograma do produto armazena aproximadamente 2,4 quilogramas de dióxido de carbono atmosférico, cerca do dobro da quantidade armazenada pela madeira. A empresa afirma ainda que o carbono pode permanecer retido por potencialmente milhares de anos, já que o material não se decompõe e é fácil de reciclar.
Fonte: CicloVivo
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