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América do Sul ganha corredor continental de vida selvagem

30/09/2025

A união de organizações sem fins lucrativos bem-sucedidas da Argentina, Bolívia, Brasil e Paraguai, deu origem a uma iniciativa inédita para restaurar ecossistemas, trazer de volta espécies-chave e desenvolver economias baseadas na natureza. O resultado é a Jaguar Rivers, o maior esforço de refaunação em escala continental da América do Sul.
A iniciativa planeja reconectar ecossistemas fragmentados na vasta Bacia do Rio Paraná, usando os corredores fluviais como tecido conectivo. A aliança entre as organizações foi anunciada durante a Climate Week no The Explorers Club, em Nova York, e propõe um novo modelo transfronteiriço que também aborda a crise de extinção em massa e a instabilidade climática em escala global.
“Todos nós conhecemos a urgência das crises de biodiversidade e clima”, diz Kristine Tompkins da Tompkins Conservation. “Esta iniciativa ousada ressalta a necessidade de uma ação coordenada e em grande escala antes que seja tarde demais. Eu a chamaria de uma tábua de salvação para o nosso planeta”.
A América do Sul está em meio a uma crise ecológica sem precedentes. As populações de vida selvagem em toda a região diminuíram 94% desde 1970 – a queda mais acentuada do mundo. Os impulsionadores desse colapso – desmatamento, degradação de rios, fragmentação, incêndios e superexploração – estão se intensificando diante das mudanças climáticas.
A iniciativa Jaguar Rivers irá restaurar, proteger e conectar ecossistemas em todo o coração da América do Sul, cobrindo mais de 2,5 milhões de quilômetros quadrados, uma área quase duas vezes o tamanho do Alasca.
“Estamos empreendendo um ato muito estratégico para salvaguardar um dos maiores sistemas fluviais do mundo. Ao restaurar sua integridade ecológica, diversas espécies e comunidades atualmente ameaçadas em quatro países têm a oportunidade de prosperar, usando um modelo de restauração da natureza combinado com economias regenerativas que foi testado e provado ser bem-sucedido em locais como o Pantanal brasileiro e os Esteros del Iberá na Argentina”, explica Deli Saavedra, diretor da iniciativa.
A iniciativa é liderada pelas organizações sem fins lucrativos Rewilding Argentina, Nativa (Bolívia), Moisés Bertoni (Paraguai) e Onçafari (Brasil). Uma campanha de financiamento privado fornecerá recursos para a iniciativa, com compromissos de doadores iniciais de US$ 26 milhões, aproximadamente um terço do orçamento operacional para os primeiros três anos.
Os doadores incluem Tompkins Conservation, Kisco Conservation Foundation, Rainforest Trust, Wyss Foundation, Bobolink Foundation, Postcode Lottery Group, DOB Ecology, Freyja Foundation, Greg and Mary Moga, Teresa e Candido Bracher, e Rolex Perpetual Planet Initiative.

A iniciativa Jaguar Rivers vai proteger e restaurar a Bacia do Paraná por meio de quatro pilares:

* Arcas: grandes ecossistemas intactos com espécies-chave, restaurados e repovoados para se tornarem fontes de dispersão da vida selvagem.
* Zonas de amortecimento: zonas circundantes onde economias restauradoras promovem a coexistência e estendem a proteção.
* Trampolins ecológicos: refúgios de vida selvagem menores ao longo de corredores, muitas vezes reservas privadas, que permitem a dispersão segura e reduzem os conflitos entre humanos e animais selvagens.
* Rios e Planícies de Inundação: corredores vitais para a conectividade, exigindo fluxos ecológicos saudáveis; salvaguardados através da custódia cidadã, monitoramento e políticas fortes.

Na Argentina, a Fundación Rewilding Argentina doou mais de 460.000 hectares de terra desde 2010 para criar e expandir 10 parques, protegendo mais de 1,6 milhão de hectares. Doze espécies extintas localmente, incluindo a onça-pintada, a ariranha e a arara-vermelha, foram reintroduzidas e novos modelos de conservação territorial foram desenvolvidos, ajudando a criar quatro destinos de turismo baseados na natureza.
Na Bolívia, a Nativa: Naturaleza, Tierra Y Vida tem desempenhado um papel fundamental na promoção da criação e gestão de 12 áreas protegidas, apoiando iniciativas como Nembi Guasu, que abrange 1,2 milhão de hectares, um exemplo proeminente de gestão de conservação indígena.
No Paraguai, a Fundación Moisés Bertoni gerencia a Reserva Florestal de Mbaracayú, garantindo a proteção perpétua de mais de 64.000 hectares de Mata Atlântica ameaçada. A fundação desenvolveu soluções inovadoras para desafios socioeconômicos e ambientais, controlando assim a poluição da água para o benefício direto de mais de 40.000 pessoas.
No Brasil, o Onçafari ampliou o ecoturismo baseado na vida selvagem sendo pioneira na habituação de onças-pintadas. Foi a primeira organização no mundo a liberar com sucesso onças-pintadas em cativeiro de volta à natureza e tem sido responsável pela criação e gestão de grandes corredores de vida selvagem tanto na Amazônia quanto no Pantanal.
O Onçafari nasceu com a missão de conservar a biodiversidade brasileira através da proteção de áreas naturais e do apoio ao desenvolvimento socioeconômico das comunidades locais. A organização está presente na Amazônia, Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica com oito frentes de atuação: Ecoturismo, Ciência, Educação, Reintrodução, Social, Florestas, Anti-incêndio e Advocacy.

Mais informações acesse o CicloVivo

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