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Crueldade no tráfico de animais silvestres: criminosos forçavam nascimento abrupto e transportavam bichos em sacos plásticos

18/09/2025

Nesta terça-feira, a Polícia Civil prendeu 45 pessoas em uma operação contra o tráfico de animais silvestres. Mais de 700 animais foram resgatados durante as diligências. Segundo as autoridades envolvidas na investigação do esquema criminoso, os suspeitos cometiam diversos atos de crueldade, que incluíam o transporte em sacos plásticos e até a prática de forçar o nascimento dos bichos para aumentar os lucros. O secretário do Ambiente e Sustentabilidade, Bernardo Rossi, afirmou que cerca de 60% dos animais chegavam sem vida ao destino, como resultado da crueldade dos criminosos.
O delegado André Prates, titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA), explicou que os criminosos retiravam ovos da natureza para forçar o nascimento dos animais.
— Eles recolhiam, no extrativismo animal, centenas de ovos de aves prestes a nascer e forçavam o nascimento abrupto em câmaras luminosas e estufas improvisadas. Esses pequenos pássaros nascem em centenas, são alimentados apenas para adquirir um mínimo de resistência e, logo em seguida, colocados em caminhões e levados para centros urbanos — explicou.
A promotora do Ministério Público do Rio, Elisa Pittaro, destacou que ficou evidente, durante as investigações, que os criminosos não tinham nenhuma empatia pelos animais.
— Os animais ali são tratados literalmente como coisas. E muitos morrem no processo. Outro ponto que me chamou bastante a atenção, talvez pelo fato de a nossa legislação ambiental ser extremamente permissiva, é que muitos alvos têm inúmeras passagens pela prática de crime ambiental.
Segundo ela, há uma tendência cultural em minimizar os crimes ambientais, como o de compra e venda de animais silvestres.
— Uma pessoa que compra um animal pensa: “é só uma tartaruga, é só um mico, é só um pássaro”. Mas não é. Para chegar a esse processo, quantos animais foram mortos? Olhe o crime organizado que está sendo estimulado. Por isso, como estratégia, o Ministério Público não está denunciando apenas quem caça, transporta e vende, mas também quem adquire. Quem compra animal nesse tipo de situação vai responder pelo crime de receptação — afirmou.
Ao todo, 145 suspeitos foram identificados. O grupo, de acordo com a polícia, explora há décadas o tráfico de animais silvestres no estado, sendo o principal responsável por fornecer espécimes vendidos em feiras clandestinas. Um dos núcleos da organização criminosa é composto pelos caçadores, responsáveis pela caça em larga escala de animais silvestres em seus habitats naturais. Após serem sequestrados da natureza, os animais eram transportados por integrantes do chamado núcleo de atravessadores: eles tinham a função de entregar os espécimes nos centros urbanos para a comercialização.
Havia ainda um núcleo especializado em primatas, que caçava, dopava e vendia macacos para outros integrantes do grupo. Muitos dos animais eram retirados das matas fluminenses, como o Parque Nacional da Tijuca e o Horto.
Outro núcleo identificado é o dos falsificadores, que vendia anilhas, selos públicos, chips e documentos falsos para mascarar a origem ilícita dos animais. O grupo também tinha um núcleo de armas, responsável pelo fornecimento de armamento e munição para a organização. Os investigadores também identificaram diversos consumidores finais, que adquiriram animais silvestres de forma ilegal, alimentando a cadeia criminosa.
A operação teve o apoio de delegacias dos Departamentos-Gerais de Polícia Especializada (DGPE), da Capital (DGPC), da Baixada (DGPB) e do Interior (DGPI), da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), além da Secretaria estadual do Ambiente e Sustentabilidade (Seas) e do Ministério Público. Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Ibama colaboraram com as investigações.
Os animais eram oferecidos e negociados em grupos de redes sociais. Numa das conversas flagradas pela polícia, um macaco mão-de-ouro (Saimiri sciureus), também conhecido como macaco-de-cheiro, é oferecido por R$ 3.500. "Macaco mão de ouro, raridade no Rio", diz a mensagem, frisando que o preço do animal é "pra sair hoje".
Em outra postagem, um filhote de macaco-prego (Sapajus apella) é oferecido por R$ 4.500, com retirada do animal nos complexos do Alemão ou da Penha.
De acordo com o delegado André Neves, do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), o tráfico de animais alimentava uma cadeia criminosa:
— Para se ter noção da nocividade dessa organização criminosa, um dos alvos é acusado de assassinar três PMs. Na investigação, tivemos acesso a conversas em que ele se vangloriava disso.
O delegado ainda afirma que, a extração dos animais da natureza era muito intensa.
— Se não fosse dado um basta, haveria a extinção completa de algumas espécies.
De acordo com o presidente do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Fernando Jordão, os bichos tinham origens diversas. Eles chegavam ao Rio vindos do Nordeste e do Centro-Oeste do Brasil, mas outros também eram retirados das florestas do Estado. Há casos, inclusive, em que foram capturados no Parque Nacional da Tijuca.
— O governo do estado é implacável na fiscalização em relação ao meio ambiente. Claro que sempre precisa melhorar, mas o problema é a conscientização das pessoas que compram esses animais, que transportam, que vendem, que vão às feiras. Isso é o que precisa mudar — explicou.

Fonte: O Globo

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