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Portugal registra o verão mais quente e seco desde 1931

09/09/2025

Portugal viveu este ano o verão mais quente desde 1931, com temperaturas médias 1,55°C acima do normal, segundo anunciou a agência meteorológica nacional do país, nesta sexta-feira (5).
A temperatura máxima média da temporada foi de 30,78°C, ou seja, 2,09°C acima do normal, o que constitui um recorde desde 1931, quando começaram a ser coletados dados significativos para todo o território português.
No país, atingido em agosto por incêndios florestais devastadores, o verão também foi o mais seco desde 1931, com precipitações equivalentes a apenas 24% do normal entre 1991 e 2020, especificou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) em seu boletim climático dedicado ao verão de 2025.
Portugal sofreu, ainda, três ondas de calor, sendo a última, a mais longa, que se estendeu de 29 de julho a 17 de agosto.
O mês de junho já havia registrado recordes de temperatura máxima em 33 localidades, com o valor mais alto (46,6°C) alcançado em 29 de junho em Mora, cerca de cem quilômetros a leste da capital, Lisboa.
Os incêndios florestais de agosto no centro e no norte do país deixaram quatro mortos e vários feridos, destruíram residências e cultivos, e arrasaram cerca de 254 mil hectares, o pior balanço desde os incêndios de 2017, que causaram mais de cem mortes, segundo dados do Instituto Nacional de Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).
Na Espanha ocorre caso similar. A temperatura média de agosto igualou a do mesmo mês de 2024, com ambos sendo os meses de agosto mais quentes desde o início dos registros no país, anunciou a agência estatal de meteorologia Aemet.
"Os dois últimos meses de agosto foram os mais quentes da série histórica, com 25°C de média, ou seja, 2ºC acima da média para o mês", afirmou a Aemet em um comunicado.
Agosto foi "extremamente quente" e caracterizado por uma prolongada onda de calor de 16 dias, a mais intensa desde o início dos registros no país, lembrou a agência nacional.
Durante o período, os termômetros atingiram picos de até 45,8ºC no sul da Espanha, segundo a Aemet.
As temperaturas elevadas intensificaram uma das piores ondas de incêndios florestais que devastaram o país nos últimos anos, com o balanço de quatro mortos e mais de 350 mil hectares queimados.
Na Espanha, país europeu na linha de frente das mudanças climáticas, os últimos três anos foram os mais quentes da série histórica, com várias ondas de calor e recordes de temperatura.
Segundo a agência, desde 1975 foram registradas 77 ondas de calor na Espanha, seis delas com uma anomalia de 4ºC ou mais.
Cinco ondas de calor aconteceram desde 2019, um indício do agravamento dos fenômenos.
Os cientistas alertam há anos sobre o impacto das mudanças climáticas nas ondas de calor, secas e outros fenômenos meteorológicos extremos, cada vez mais intensos e frequentes.
Ainda nesta semana, outros países anunciaram recordes de calor.

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