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O que explica a queda de incêndios florestais no Brasil

02/09/2025

O sistema de monitoramento Pantera, do Instituto Homem Pantaneiro, identificou no fim de julho uma linha de fogo de cerca de cinco quilômetros na Bolívia que avançava em direção ao pantanal sul-mato-grossense. Até então dedicados a ações de prevenção, os brigadistas se prepararam para atuar no combate.
"Mas uma chuva torrencial caiu bem em cima do fogo e conseguiu extingui-lo", relatou o biólogo Sergio Barreto.
O episódio ajuda a entender o cenário dos incêndios florestais no Brasil. Depois de secas intensas, que criaram o combustível para os recordes de áreas queimadas em 2024, as condições climáticas mais amenas têm ajudado a evitar os desastres neste ano. Além disso, avaliaram especialistas, ações de prevenção avançaram, na esteira da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo.
De acordo com os dados no sistema Alarmes, do Lasa (Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais) da Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2024 foi o ano com a maior área queimada na série histórica iniciada em 2017. Há cerca de um ano, por exemplo, a fumaça dos incêndios encobria dezenas de cidades brasileiras, com a situação se agravando nas semanas seguintes.
Em 2025, porém, a situação mudou. Na comparação com o mesmo período dos anos anteriores, a área queimada é a menor da série histórica. Além do clima mais ameno e das ações de prevenção, o trauma vivido no ano passado é outro fator que ajuda a entender a diminuição dos incêndios.
"Há uma redução dos incêndios nos anos seguintes aos anos que queimam muito. Tem aquele efeito do medo. Aquela pessoa que perdeu muita coisa, porque o fogo saiu do controle, vai ficar com mais receio de queimar no ano seguinte. Então, tem uma redução natural do uso do fogo depois de uma grande catástrofe", opinou Ane Alencar, diretora de Ciências do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e coordenadora do MapBiomas Fogo.
"Até o momento tem sido um ano relativamente tranquilo. Comparativamente, está muito melhor do que no ano passado. Mas não há nada garantido em termos climáticos", alertou Isabel Schmidt, professora do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília e pesquisadora do Manejo Integrado do Fogo, técnica conhecida pela sigla MIF.
A maior parte da área queimada, segundo o Lasa, costuma estar concentrada em três meses: agosto, setembro e outubro. "O pior do risco de incêndio ainda está por vir. Não necessariamente virá incêndio, mas o risco é real", explicou Schmidt.
O aviso também esteve presente na reunião de impactos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, realizada em meados de agosto, quando foi apresentada a previsão de probabilidade de fogo para os três meses. Há 339 municípios em alerta alto e 510 em alerta no período, principalmente no Norte, Centro-Oeste e Sudeste.
Um aspecto positivo é que o Brasil está avançando na forma de lidar com o fenômeno. Há um ano, entrou em vigor a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo. Ela estabeleceu coordenação entre governo federal, estados, municípios, setor privado e sociedade civil para medidas de prevenção, preparação e controle de incêndios.
Em fevereiro, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima publicou uma portaria declarando estado de emergência ambiental devido ao risco de incêndios florestais em diversas regiões do Brasil. O governo federal também aumentou o orçamento e o número de brigadistas.
"O governo federal já estava fazendo o manejo integrado do fogo nas suas áreas protegidas, e esse ano teve mais recursos. Então já tinha estrutura montada, planejamento e gente capacitada. Na hora que você coloca dinheiro, as coisas são executadas imediatamente", observou Schmidt.
O manejo integrado do fogo pode ser considerado uma mudança de paradigma. A metodologia leva em consideração saberes tradicionais e científicos para planejar a gestão de um território, com ações de prevenção, educação e, em alguns casos, queima prescrita —o uso do fogo controlado, realizado em períodos mais úmidos, para evitar o acúmulo de vegetação seca que poderia queimar.
O clima mais ameno ajuda a colocar em prática a política do MIF, mas é difícil mensurar o quanto o Brasil está preparado. Até porque muitas medidas importantes tomadas neste ano vão surtir efeito nos anos seguintes.

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