
02/09/2025
Pesquisadores confirmaram pela primeira vez a presença de grupos familiares de muriquis-do-sul (Brachyteles arachnoides) no interior do Parque Estadual Cunhambebe, unidade de conservação que abrange quase 40 mil hectares na Costa Verde do Rio de Janeiro.
As imagens que registraram o flagrante foram feitas em meados de abril deste ano, segundo o Inea (Instituto Estadual do Ambiente), mas a descoberta inédita foi anunciada nesta quarta-feira (27), Dia do Muriqui, por meio de parceria entre o Projeto Muriqui Bocaina, o Inea e a mineradora Vale.
O registro foi obtido em área de difícil acesso com o uso de drones equipados com câmeras termográficas. A tecnologia, associada ao trabalho de monitores ambientais do parque, permitiu identificar dois grupos distintos de muriquis, totalizando 36 indivíduos. Até então, havia apenas relatos e vestígios da espécie no Cunhambebe.
Considerado o maior primata das Américas, o muriqui-do-sul é endêmico da mata atlântica e classificado como criticamente ameaçado de extinção pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza). No Brasil, ele aparece na lista de espécies em perigo do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade). Estima-se que restem menos de 1.200 indivíduos em vida livre.
"Registramos os muriquis em duas localidades distantes entre si, o que sugere a presença de dois grupos. O parque abriga florestas bem preservadas e nossa expectativa é de encontrar outros na região", afirma o biólogo Felipe Brandão, coordenador do Projeto Muriqui Bocaina.
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