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Microplásticos chegam a nanômetros e escapam até de estações de tratamento de água

24/06/2025

Você talvez já tenha ouvido falar em microplásticos. A palavra remete a “plásticos pequenos”, o que não está longe da verdade. Mas quão pequenos são? Como se formam? Onde estão? Quais riscos oferecem?

Microplásticos e seu tamanho

Microplásticos são partículas plásticas com diâmetro entre 1 e 1000 µm (1 mm), e podem chegar a tamanhos inferiores a 0,1 µm (0,0001 mm), sendo então chamados de nanoplásticos. Nessa escala, a área superficial aumenta muito, intensificando sua reatividade e impacto ambiental.
Para comparar, areia grossa tem tamanho similar ao dos microplásticos. Já os nanoplásticos são menores que a espessura de um fio de cabelo (50–100 µm). Visualmente, uma formiga poderia representar um microplástico diante de uma garrafa PET (polietileno tereftalato), enquanto um vírus ilustraria um nanoplástico, conforme ilustrado na figura abaixo.
Essas partículas se dispersam facilmente pelo ar, água e organismos vivos. Elas podem se acumular e causar efeitos ainda pouco compreendidos, mas potencialmente perigosos. Detectá-las exige microscópios e técnicas sofisticadas.

Como se formam os microplásticos

Existem diversos tipos de plásticos: PET (garrafas), poliéster (tecidos), PVC (policloreto de vinila - construção), entre outros. Os microplásticos são fragmentos desses plásticos maiores, que se degradam com sol, calor e atrito. Assim como uma laranja se divide em gomos, os plásticos se quebram em pedaços menores, perdendo a forma, mas mantendo características químicas do material original.
Com o tempo, esses fragmentos atingem tamanhos tão pequenos que são classificados como micro ou nanoplásticos. Quimicamente, deixam de ser polímeros inteiros e se tornam oligômeros, ainda reativos e poluentes, porém mais difíceis de controlar.
Não é só a degradação de plásticos grandes que gera microplásticos. Essas partículas entram nos sistemas de esgoto por fontes diversas. Por exemplo, produtos de higiene pessoal, como esfoliantes e pastas de dente, contêm microesferas plásticas. A lavagem de roupas sintéticas libera milhares de microfibras — uma única lavagem pode liberar mais de 1900 delas. Essas fibras são grandes poluentes aquáticos. Outra fonte significativa é o desgaste de pneus, cujas partículas são levadas pela água da chuva até os rios e mares.
Todos nós fazemos parte dessa cadeia de poluição, e pequenas ações, como evitar descartáveis, separar o lixo e preferir roupas de fibras naturais, podem ajudar a diminuir a quantidade de microplásticos liberados no ambiente.

O caminho dos microplásticos

A maioria das notícias sobre microplásticos está associada aos oceanos — tartarugas presas em plásticos ou praias contaminadas. Mas pensar que o problema se limita ao mar é um equívoco.
Para entender a disseminação dessas partículas, vale lembrar o ciclo da água: evaporação, condensação, precipitação, infiltração e escoamento. A água circula entre a atmosfera, o solo, rios e mares — e os microplásticos vão junto. Por isso, eles são encontrados em ambientes aquáticos, terrestres, atmosféricos e até no interior de organismos vivos.
Sua dispersão depende do tamanho, formato e densidade. Partículas grandes e densas tendem a se depositar; pequenas e leves, a flutuar.

Microplásticos e saúde humana

Os microplásticos são silenciosos. Diferente da COVID-19, que gerou uma pandemia mundial, os microplásticos estão camuflados em nosso meio ambiente. Estão no ar (inalação), nos tecidos (contato com a pele) e nos alimentos (ingestão). A exposição contínua pode estar relacionada a doenças respiratórias, digestivas, distúrbios do sono, obesidade, diabetes, câncer, disfunções reprodutivas e imunológicas.
A figura abaixo resume as diferentes vias pelas quais os microplásticos podem entrar no corpo humano, bem como os modos de interação e as potenciais consequências para a saúde associadas.

Para saber mais acesse o g1

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