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Para salvar rinocerontes, conservacionistas estão removendo seus chifres

10/06/2025

Conservacionistas estão cada vez mais recorrendo a um método para proteger a população diminuída de rinocerontes no mundo: remover seus chifres antes que caçadores ilegais possam capturá-los
Um estudo publicado na quinta-feira (5) na revista Science descobriu que a remoção dos chifres —uma prática de conservação que envolve sedar os animais frequentemente de várias toneladas, cobrir seus olhos e ouvidos, e aparar seus chifres, que não têm nervos e crescem novamente em alguns anos— reduziu a caça ilegal em 78% durante um período de sete anos em oito reservas entre as 11 estudadas na África do Sul, lar da maioria dos rinocerontes da África.
Enquanto a vigilância e a aplicação da lei, ambas custosas, muitas vezes se mostram inúteis em uma vasta e emaranhada paisagem de organizações criminosas, corrupção e desigualdade de riqueza ao redor das reservas sul-africanas, conservacionistas e pesquisadores afirmam que a remoção dos chifres parece ter mais impacto —mas deve permanecer como uma medida de último caso em vez de uma solução a longo prazo.
Os pesquisadores estão longe de serem cegos às implicações de remover a parte mais icônica do corpo de uma espécie carismática que capturou o interesse global por gerações.
"Um rinoceronte ainda é um rinoceronte sem seus chifres?", questionou Timothy Kuiper, autor principal do estudo, professor sênior de conservação e estatística na Universidade Nelson Mandela da África do Sul.
"Os chifres são uma parte tão distintiva de sua anatomia, é uma parte bonita de seu corpo", disse ele. "É maravilhoso ver um rinoceronte com seu chifre."
Kuiper chamou a remoção dos chifres de "um mal necessário". Vanessa Duthé, uma ecologista que estudou os efeitos biológicos da remoção dos chifres, chamou-a de "ferramenta pragmática e, às vezes, essencial", que remove os ativos que os criminosos buscam em áreas de alto risco de caça ilegal.
Existem menos de 28 mil rinocerontes no mundo, uma queda acentuada dos 500 mil no início do século 20, de acordo com a Fundação Internacional do Rinoceronte (IRF, na sigla em inglês), um grupo de conservação. A maioria é de duas espécies na África: rinocerontes negros estão criticamente ameaçados (6,5 mil restantes), e rinocerontes brancos são considerados quase ameaçados (16,8 mil), segundo o Fundo Mundial para a Natureza. Outras três espécies vivem na Ásia, com dois tipos —o rinoceronte de Java e o de Sumatra— cada um com menos de 50 animais ainda vivos.
Os rinocerontes africanos são alvo de caçadores ilegais que os matam para cortar seus chifres, que são exibidos como troféus de status ou consumidos como elemento da medicina tradicional chinesa. Um quilograma de chifre de rinoceronte, em seu auge, chegou a custar US$ 65 mil (cerca de R$ 364 mil).
Estima-se que 12.713 rinocerontes foram caçados ilegalmente na África desde 2006, a maioria na África do Sul, de acordo com a instituição de caridade Save the Rhino. Em 2023, 586 rinocerontes africanos foram caçados ilegalmente, descobriu a Fundação Internacional do Rinoceronte. Mais de 300 desses foram mortos em apenas um parque administrado pelo estado.
"Você pode pegar um caçador ilegal e há três na fila para ocupar seu lugar", disse outro pesquisador por trás do estudo, Markus Hofmeyr, diretor do Fundo de Recuperação do Rinoceronte.
A remoção dos chifres foi a única intervenção prática contra a caça ilegal para a qual os pesquisadores encontraram fortes evidências de eficácia, e é muito mais econômica do que outros métodos, como patrulhas 24 horas por dia, 7 dias por semana.

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