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Solos agrícolas têm 23 vezes mais microplásticos do que os oceanos

03/06/2025

Um novo estudo da Universidade Murdoch, na Austrália, aponta que os solos agrícolas concentram até 23 vezes mais microplásticos do que os oceanos — um dado alarmante que evidencia a dimensão invisível da poluição plástica no ambiente terrestre.
Segundo os pesquisadores, microplásticos e nanoplásticos têm sido detectados em cultivos amplamente consumidos, como alface, trigo e cenoura. Esses contaminantes chegam ao solo por meio de fertilizantes, filmes plásticos utilizados na cobertura do solo e até pela chuva, que atua como vetor de partículas microscópicas transportadas pela atmosfera.
“A presença dessas partículas em alimentos básicos indica que a poluição plástica já está integrada à cadeia alimentar humana”, alertam os cientistas.
Diversos estudos recentes demonstram que os microplásticos não se restringem ao sistema digestivo: eles já foram encontrados nos pulmões, sangue, cérebro, coração e até mesmo na placenta humana, o que evidencia sua capacidade de atravessar barreiras biológicas e acumular-se em órgãos vitais.

Além dos riscos físicos, os microplásticos também carregam substâncias químicas tóxicas. A pesquisa destaca a presença de aditivos como:

* Ftalatos — associados a problemas reprodutivos.
* PBDEs (retardantes de chama) — relacionados a disfunções neurológicas e doenças degenerativas.
* Substitutos do BPA (como BPF e BPS) — com efeitos potencialmente mais graves como desreguladores endócrinos.

O problema se agrava pela ausência de regulamentação específica para muitos desses compostos, deixando consumidores e ecossistemas vulneráveis.
O estudo também critica a defasagem entre a velocidade da inovação industrial e a atualização das normas regulatórias. “A indústria avança rapidamente, enquanto a regulamentação e a ciência lutam para acompanhar esse ritmo”, destaca o relatório. A falta de transparência sobre a composição dos plásticos usados na agricultura impede uma avaliação completa dos riscos.
Em busca de soluções sustentáveis, os pesquisadores da Universidade Murdoch estão desenvolvendo alternativas como os bioplásticos totalmente degradáveis, que não deixam resíduos no solo ou na água. Um exemplo inovador é o projeto Smart Sprays, que propõe a aplicação de um filme bioplástico biodegradável utilizando máquinas agrícolas convencionais. A tecnologia cria uma barreira que reduz a evaporação da água no solo, melhora a eficiência hídrica e evita a contaminação plástica.
A introdução de bioplásticos seguros e sustentáveis pode representar uma virada na luta contra a poluição plástica agrícola, com benefícios como:

° Redução significativa da pegada plástica no setor.
° Proteção da saúde humana e dos ecossistemas.
° Prevenção do acúmulo de microplásticos na cadeia alimentar.
° Estímulo à agricultura regenerativa e circular.

Para alcançar esses objetivos, o estudo reforça a necessidade de uma ação coordenada e urgente entre governos, cientistas e setor produtivo. “A sustentabilidade não é mais uma escolha, mas uma necessidade crítica para o futuro da agricultura e da saúde humana”, concluem os autores do estudo.

Fonte: CicloVivo

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