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Na Índia, arquitetura resfria casa sem precisar de ar-condicionado

13/05/2025

O calor faz parte da vida de quem mora na região oeste da Índia, onde fica um dos desertos mais quentes da Terra, o deserto do Thar ou Grande Deserto Indiano. As famílias que vivem nos estados do Rajastão e Gujarat aprenderam a se refrescar sem usar o “moderno” ar-condicionado e usam ferramentas da arquitetura para garantir o conforto térmico dentro das casas.
Uma casa na cidade de Bharuch é um exemplo do uso deste conhecimento, aplicando os princípios da termodinâmica. Por lá, as temperaturas no verão ultrapassam a marca dos 40ºC, mas dentro desta residência, a sensação é de um clima fresco, sem o uso de eletricidade ou equipamentos de ar-condicionado.
No interior, o espaço é aconchegante, com muito verde e um ambiente pela ventilação passiva que faz a temperatura cair em até 8ºC com técnicas simples, mas muito eficientes.
“Usamos a direção dos ventos, o design e materiais especiais para reduzir o calor da casa”, disse Samira Rathod, arquiteta principal da ‘Cool House’ e fundadora do Samira Rathod Design Atelier (SRDA).
“O terreno tinha três prédios ao redor e uma rua de um lado. A única vista que a casa teria seria para o prédio vizinho. Uma casa ‘introvertida’ foi uma boa escolha nesse sentido. É basicamente uma casa em que a casa se abre quando você entra. Do lado de fora, pareceria uma estrutura bastante fechada”, explica ela.
Na verdade, poderia até ser chamada de deprimente, já que sua porta da frente está escondida entre duas fachadas gigantes de 45 centímetros de espessura, em cinza e preto. Mas, por dentro, uma fenda gigante divide os cômodos da casa em dois lados. Por esta fenda, passa o vento vindo do oceano.
A cidade de Bharuch fica no litoral do Oceano Índico e, apesar das temperaturas escaldantes, em vários momentos do dia, a brisa é constante. A estreita fresta construída na casa potencializa o poder de resfriamento do vento com base no efeito Venturi, um princípio da física que afirma que quanto mais estreito o espaço por onde um elemento precisa passar, mais rápido e frio ele se torna. E isso funciona com o ar que atravessa a fenda.
O princípio pode ser observado na respiração humana, que, através da boca aberta, sai quente, mas através dos lábios franzidos, sai fria. O mesmo efeito pode ser observado em rios, onde canais estreitos fazem a água acelerar e formar corredeiras, enquanto terras largas e planas fazem a água desacelerar.
No caso da construção, o vento do mar entra pela fenda e atinge um pátio interno, onde uma piscina de água o refresca ainda mais. Ao entrar no interior da casa de 930 metros quadrados, um segundo pátio circunda cada cômodo, onde a família vive há três gerações.
“A casa olha para dentro. Criamos pátios com árvores justamente para que o olhar e atenção das pessoas fique na área interna”, disse Rathod.

Fonte: CicloVivo

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