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Jonathan Shanklin, o cientista que descobriu o buraco na camada de ozônio

08/05/2025

Quarenta anos atrás, três cientistas britânicos fizeram um anúncio que causou alarme mundial.
Eles haviam detectado um buraco na camada de ozônio, o manto que protege a Terra da radiação mais prejudicial do sol e sem o qual a vida como a conhecemos em nosso planeta não seria possível.
O estudo foi publicado em 1º de maio de 1985 na revista Nature e teve a autoria de Jonathan Shanklin, Joe Farman e Brian Gardiner, pesquisadores do British Antarctic Institute (BAS).
Anos antes, na década de 1970, dois químicos e mais tarde ganhadores do Prêmio Nobel, Mario Molina, do México, e Sherwood Rowland, dos Estados Unidos, haviam alertado sobre o impacto prejudicial à camada de ozônio dos compostos chamados clorofluorcarbonos, ou CFCs, na época amplamente utilizados em refrigeradores, condicionadores de ar e aerossóis, entre outros produtos de uso diário.
Mas foi a descoberta do buraco na camada de ozônio que estimulou os governos a agir. E eles agiram muito rapidamente.
Em 1987, o uso de CFCs foi proibido no que muitos consideram ser o tratado ambiental mais bem-sucedido, o Protocolo de Montreal, o primeiro acordo na história da ONU (Organização das Nações Unidas) ratificado por todos os países membros.
Jonathan Shanklin estava então no início de sua carreira. Quatro décadas depois de sua descoberta, ele conversou com a BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, sobre a história de perseverança por trás da descoberta, os segredos do sucesso do Protocolo de Montreal e o que devemos aprender com esse acordo para enfrentar as mudanças climáticas.

🎤​ Antes de voltar à história e para entender o enorme impacto de sua descoberta, o que é a camada de ozônio e por que esse gás é tão importante?

A camada de ozônio é uma camada alta na atmosfera, entre 12 e 30 a 40 km acima de nós. Sua função é agir como uma espécie de manta protetora: ela impede que os comprimentos de onda mais curtos da luz ultravioleta do sol atinjam a superfície.
Se começássemos a destruir a camada de ozônio em todo o planeta, causaríamos grandes danos à vida na superfície. Os microrganismos poderiam sofrer sérios danos genéticos. A clorofila de algumas plantas pode ser branqueada, prejudicando seu crescimento. Os seres humanos podem sofrer de cegueira da neve, em que a intensidade da luz prejudica a visão. E, na pele, pode causar câncer.
Se você sofrer uma queimadura solar grave quando for jovem, poderá se recuperar rapidamente. Mas isso pode predispô-lo ao câncer de pele mais tarde na vida. É sempre bom proteger as crianças.

🎤​ Vamos voltar a 1977. Você tinha 23 anos e tinha acabado de se formar em física na Universidade de Cambridge quando viu um anúncio do British Antarctic Institute dizendo: "Procura-se físico com interesse em meteorologia e conhecimento de programação". Qual era o seu trabalho no BAS?

Quando vi esse anúncio, eu tinha um interesse amador em meteorologia, pois costumava medir chuvas e temperaturas em casa. E, na universidade, fiz um curso de programação.
Meu trabalho tinha três componentes. Um deles era analisar os dados de radiação solar que medimos em nossas estações na Antártida e detectar erros.
Outro objetivo era verificar a consistência das observações meteorológicas feitas na Antártida.
E o terceiro componente envolvia dados de ozônio registrados na Antártida com um instrumento chamado espectrofotômetro de ozônio Dobson, que é praticamente manual: tudo era registrado à mão em folhas de papel que eram enviadas para Cambridge uma vez por ano.
Meu trabalho inicial era verificar se tudo estava registrado corretamente no computador e, em seguida, criar programas que fizessem todos os cálculos para converter os dados do instrumento Dobson em medições de ozônio, bem como calibrar os instrumentos.

A entrevista completa pode ser lida na Folha de S. Paulo

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