
17/04/2025
Moradores de Jacarepaguá e Barra da Tijuca, bairros do Rio de Janeiro localizados entre lagoas e oceano, estão acostumados com a presença de jacarés-de-papo-amarelo em ambientes urbanos.
Eles já foram vistos em edifícios, hospitais, clubes e até na passarela de uma avenida. São tão comuns quanto os peixes, diz uma moradora.
Os dois bairros cresceram a partir da década de 1970, quando grandes condomínios foram erguidos, estendendo a construção à beira dos terrenos pantanosos, característica original do solo daquela parte da cidade.
O biólogo Ricardo Freitas Filho, 45, criou em 2009 o Instituto Jacaré, que hoje mapeia os animais da região. Ele é chamado por síndicos e administradores quando algum jacaré é encontrado em ambiente não natural.
Isso tem acontecido cada vez, em razão da expansão imobiliária, segundo ele. "Os jacarés são os moradores nativos da área, que cresceu rápido, nem sempre sob controle", diz.
A região administrativa de Jacarepaguá tinha 612.621 habitantes em 2022, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No Censo de 1991, eram 389.302.
A região administrativa da Barra da Tijuca tinha 462.423 moradores em 2022; em 1991, eram 98.791.
Deste crescimento, boa parte dos prédios é licenciada pela prefeitura, mas também entram no cálculo as construções irregulares, algumas patrocinadas pela milícia, segundo investigações policiais.
Milicianos e traficantes disputam comunidades que cresceram ao redor dessas lagoas e canais. Em 2021, um morador da Gardênia Azul gravou em vídeo o momento em que um jacaré arrastava o corpo de um homem pelo rio.
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