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4 exemplos do uso da tecnologia para cuidar da natureza

27/02/2025

A ciência e a tecnologia podem ser grandes aliadas da conservação e regeneração do meio ambiente, apoiando o cuidado com espécies de fauna e flora de todo o planeta. No Brasil, equipamentos como drones e aplicativos já são amplamente utilizados para monitorar espécies, recuperar áreas naturais e conectar cientistas e cidadãos aos desafios ambientais. Provas de que o desenvolvimento e a natureza podem – e devem! – andar lado a lado.
A inteligência artificial, tão discutida hoje em dia, pode contribuir ainda mais para esse casamento entre inovação e natureza, especialmente no processamento e interpretação de dados e imagens, otimizando as ações a favor da biodiversidade.
“Soluções tecnológicas e inovadoras estão presentes em todas as áreas da nossa vida, incluindo a conservação da natureza. Este é um nicho com grande potencial para gerar novos conhecimentos, proteger áreas naturais e espécies, além de fortalecer a economia e promover o bem-estar social”, afirma Marion Silva, gerente de Ciência e Conservação da Fundação Grupo Boticário.
Com a popularização de drones e câmeras fotográficas com sensores de movimento, o monitoramento de espécies na natureza tem se expandido, trazendo também benefícios econômicos. Softwares capazes de interpretar imagens, cruzando diversas informações, estão em rápido desenvolvimento, especialmente no exterior. “Esses avanços podem – e devem – ser incorporados às estratégias de conservação de áreas naturais no Brasil. É um caminho promissor que pode aprimorar nossas estratégias de preservação”, ressalta Marion.

Tecnologia + Conservação da Natureza = Desenvolvimento Sustentável

1. Drones e imagens aéreas

Em Fernando de Noronha, cientistas utilizam imagens aéreas para estudar as atividades de pesca da sardinha no Parque Nacional Marinho, uma unidade de conservação que protege a rica biodiversidade local. A partir das imagens captadas durante o período de pesca, foi possível identificar o tamanho dos cardumes, as dinâmicas dos barcos pesqueiros, as atividades dos pescadores e até os impactos do turismo.
“A sardinha é a base alimentar para tubarões, golfinhos, vários peixes maiores e aves marinhas, além de ter valor comercial para os pescadores. Manter a pesca sustentável é essencial para outras atividades econômicas, como o turismo, que depende da biodiversidade para atrair turistas, especialmente para atividades de mergulho”, afirma Hudson Pinheiro, pesquisador do Centro de Biologia Marinha da Universidade de São Paulo (USP) e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN).
Pinheiro, um dos coordenadores do estudo em Fernando de Noronha, explica que o uso de drones oferece várias vantagens em comparação com os métodos tradicionais de monitoramento da pesca, que exigem investimentos elevados e logística complexa. “A gestão da pesca geralmente é feita em terra ou por meio de inspeções em embarcações. O monitoramento com drones é uma opção versátil e econômica, que pode melhorar significativamente os estudos pesqueiros, especialmente em áreas marinhas protegidas”, afirma o pesquisador.
Em Minas Gerais, o Programa de Conservação do Muriqui de Minas, realizado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), utiliza drones para ajudar na preservação do muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus), um primata ameaçado de extinção. Os pesquisadores empregam câmeras térmicas para localizar os animais nas copas das árvores. Antes da utilização dessa tecnologia, era necessário entrar na mata e contar os primatas individualmente, o que exigia muito mais tempo e esforço.
Agora, o monitoramento por drones permite cobrir áreas maiores em menos tempo. Estima-se que, em apenas dez minutos de voo, seja possível abranger entre 10 e 20 hectares, com maior precisão do que outros métodos tradicionais.
Os drones também têm se mostrado ferramentas muito eficientes para o reflorestamento e monitoramento de áreas restauradas. Os equipamentos podem chegar a locais de difícil acesso e garantir que sementes nativas cheguem a áreas devastadas por desmatamento ou incêndios florestais.

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