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Os cientistas que perfuram os buracos mais profundos da Terra para obter água a 500°C

04/02/2025

Existem locais no nosso planeta onde a energia literalmente borbulha até a superfície.
A Islândia, por exemplo, possui mais de 200 vulcões e dezenas de fontes naturais de água quente. E não é difícil aproveitar essas fontes de energia.
Piscinas de água aquecida pelo fogo geotérmico que queima pouco abaixo da crosta terrestre estão espalhadas por todo o país. E gêiseres lançam no ar jatos de água fervente e vapor.
A Islândia aquece 85% das suas residências com energia geotérmica —e 25% da eletricidade do país também vêm de usinas de produção de energia que aproveitam o calor do subsolo.
Ter uma fonte de energia verde quase ilimitada, apenas aguardando para ser utilizada, é uma perspectiva bastante atraente. E a energia geotérmica oferece esta fonte, que é essencialmente inesgotável em todo o planeta.
É uma forma de energia que está sempre disponível, ao contrário da energia eólica ou solar. Afinal, o núcleo fundido da Terra e a degradação dos elementos radioativos naturais na crosta do nosso planeta emitem calor continuamente.
A quantidade de energia emitida pelo resfriamento da Terra é tão grande que o calor perdido no espaço todos os anos seria suficiente para atender à demanda total do planeta, multiplicada por muitas vezes. A questão é como fazer uso desta energia.
Atualmente, apenas 32 países em todo o mundo possuem usinas de energia geotérmica em operação. Existem menos de 700 usinas em todo o planeta. Somadas, elas geraram cerca de 97 TeraWatts-hora (TWh) em 2023.
Esta quantidade representa menos da metade da energia gerada por fontes solares, somente nos Estados Unidos. E está muito aquém das estimativas do potencial de contribuição que as fontes geotérmicas poderiam oferecer à oferta global de energia.
Estimativas indicam que as fontes geotérmicas poderiam fornecer cerca de 800 a 1400 TWh de eletricidade por ano até meados do século, mais 3.300 a 3.800 TWh anuais em aquecimento.
"A própria Terra detém o potencial de superar uma série de obstáculos na transição para o futuro da energia limpa", destacou Amanda Kolker, gerente de programas geotérmicos do Laboratório Nacional de Energias Renováveis dos Estados Unidos (NREL, na sigla em inglês), ao publicar um relatório sobre o potencial da energia geotérmica em 2023.
Mas nem todos os países têm a mesma sorte da Islândia, que possui reservatórios de água quente sob temperaturas de cerca de 120 a 240°C, perto da superfície e de fácil acesso. Em outras regiões do país, poços perfurados até 2,5 km de profundidade atingem temperaturas de até 350°C.
A principal usina geotérmica da Islândia, por exemplo, perfurou poços experimentais com até 4,6 km de profundidade para ter acesso a fluidos superaquecidos a até 600°C em Reykjanes, no sudoeste do país. E já ocorre extração diária de calor utilizando poços mais rasos, a temperaturas de cerca de 320°C, para gerar 720 GigaWatts-hora (GWh) de eletricidade por ano.
Um motivo do baixo uso da energia geotérmica é o alto investimento inicial necessário para extrair essa energia. E atingir fisicamente essas fontes, em muitos casos, também está além do nosso alcance.
Para que outras partes do mundo possam empregar uma parte dessa fonte geotérmica de energia limpa, precisamos perfurar mais fundo, até atingir as temperaturas necessárias para gerar eletricidade ou fornecer aquecimento em larga escala para os bairros vizinhos.
Na Islândia, o imenso calor da Terra fica perto da superfície, o que facilita seu uso para aquecimento e produção de energia.

Leia a matéria completa clicando na Folha de S. Paulo

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