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Gigante na exportação de carvão, Austrália quer ter 82% de energias renováveis até 2030

21/01/2025

Terceiro maior exportador mundial de combustíveis fósseis, a Austrália tem um plano ambicioso para se transformar em uma superpotência das energias renováveis. O país tem o objetivo de atingir 82% de fontes limpas em sua matriz energética até 2030: uma cifra que representa mais do que o dobro da capacidade atual instalada, em torno de 40%.
Para chegar lá, o governo australiano, que quer aproveitar o grande potencial de geração eólica e solar do país, começou por abrir os cofres. Os projetos vão desde incentivos às energias com baixas emissões de carbono até a melhoria da eficiência energética das casas, além de muito investimento em pesquisas para o desenvolvimento de novas tecnologias.
"Anunciamos mais de 60 bilhões de dólares australianos [cerca de R$ 225,5 bi] nos últimos três anos para acelerar a transformação da Austrália, incluindo 22,7 bilhões de dólares australianos [R$ 104,1 bi] para expandir novas indústrias, como hidrogênio de fontes renováveis, metais verdes, combustíveis líquidos de baixo carbono e minerais críticos, que contribuirão para os esforços globais de descarbonização, à medida que nossos parceiros comerciais aceleram suas transições", conta a embaixadora para as mudanças climáticas do país, Kristin Tilley (leia entrevista).
Além de reduzir as emissões de gases-estufa e de melhorar a sustentabilidade do setor elétrico australiano, a iniciativa mira também deixar o país em uma situação estratégica para abocanhar uma boa fatia dos recursos destinados à transição energética nos mercados globais, estimados em até US$ 2 trilhões pela Agência Internacional de Energia.
Dentro de casa, contudo, também serão necessárias adaptações. O encerramento das usinas de geração de energia à base de carvão está previsto para acontecer até 2038, o que também exigirá acomodações para atividades econômicas e populações que estavam diretamente ligadas a essas atividades.
A ministra dos Recursos da Austrália, Madeleine King, reconhece que isso representa um desafio, mas afirma que o país já tem abordagens para apoiar os afetados pela transição energética.
"Nosso enfoque é cuidadoso e envolve um planejamento detalhado para essas comunidades", diz. "Estamos explorando oportunidades para construir novas indústrias, como manufatura avançada, incluindo a produção de vagões ferroviários ou o desenvolvimento de produtos renováveis. Esse tipo de planejamento é essencial porque sabemos que a transição é inevitável, especialmente com a eliminação gradual da geração de energia a carvão."
Análises independentes indicam que o plano de ultrapassar a barreira de 80% de energias renováveis dentro de cinco anos é algo factível, mas que exigirá um esforço inédito.
Especialista em mudanças climáticas e pesquisadora no Lowy Institute, um dos principais think tanks da Austrália, Melanie Pill avalia que a meta é "desafiadora, mas possível, embora dependa de um cenário político positivo e de apoio financeiro por parte do governo."
Para Pill, o governo "está enviando a mensagem certa ao promover a Austrália como uma superpotência de energia renovável", o que pode dar mais confiança ao setor privado para investir no mercado.
A pesquisadora pondera, contudo, que "existe um problema notório com o histórico de inação da Austrália" e que a ação climática tem sido "frequentemente usada como terreno de disputa para ganhar eleições."
"Acredito que o atual governo trabalhista está comprometido e sério em relação à meta, também para restaurar a reputação internacional do país, mas parece que falta ousadia para realmente concretizar e fazer o necessário para alcançar esse objetivo", avalia.
O atual primeiro-ministro, Anthony Albanese, do Partido Trabalhista, chegou ao poder em 2022 com um discurso de ampliar as ações climáticas da Austrália, em um contraste claro com o posicionamento de seu antecessor, criticado internacionalmente pela falta de ação em políticas ambientais.

A matéria na íntegra pode ser lida na Folha de S. Paulo

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