
15/10/2020
Circularam na internet nas últimas semanas centenas de vídeos e imagens de botos nadando nas proximidades da Ilha de Paquetá, na Baía de Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro. Tratam-se dos botos-cinza, espécie retratada no brasão do município, mas que não é vista circulando com tanta frequência porque está ameaçada de extinção. As aparições recentes estão sendo atribuídas por especialistas às medidas restritivas impostas pela pandemia do novo coronavírus.
Segundo informações do Movimento Baía Viva, a diminuição do tráfego de navios e rebocadores na Baía de Guanabara é um dos principais fatores para a aparição mais frequente dos botos. Isso porque as embarcações são responsáveis por afugentar as espécies marinhas e também por provocar a "ressuspensão" dos sedimentos no fundo do subsolo marinho, deixando as águas mais escuras.
“Além disso, as águas transparentes desse período da pandemia tem origem em dois fatores naturais associados: a maré de sizígia (ou "marés oceânicas") e o processo de hidrodinâmica da Baía. Em média a cada 15 em 15 dias, a Baía de Guanabara promove um processo interno de ‘autolavagem’ ou de ‘autodepuração’ de suas águas ao lançar no alto mar, através do movimento das marés, um volume de poluentes despejados nas suas águas turvas, como lixo, esgotos, óleo e metais pesados”, explica Sérgio Ricardo, um dos fundadores do Movimento Baía Viva.
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