
21/07/2026
O Recife passa a ocupar uma posição estratégica na transição para a economia circular no Brasil. Uma parceria anunciada em 1º de julho reúne a Fundação Ellen MacArthur, a Prefeitura do Recife, a Clean Rivers e empresas globais para desenvolver um novo modelo de coleta seletiva e reciclagem de embalagens, com potencial para orientar políticas públicas nacionais e servir de referência para outras cidades brasileiras.
A iniciativa conta com o apoio de membros da Rede de Empresas da Fundação Ellen MacArthur, entre eles Mars Inc., Nestlé, PepsiCo e Unilever. O objetivo é criar um sistema mais eficiente, inclusivo e sustentável para a gestão de resíduos sólidos urbanos, ampliando a reciclagem, reduzindo a poluição plástica e fortalecendo a infraestrutura de coleta no país.
Durante o evento de lançamento, o Ministério do Meio Ambiente e Mudanças Climáticas e a Prefeitura do Recife formalizaram acordos de cooperação com a Fundação Ellen MacArthur para apoiar a implementação do projeto.
Nos próximos seis meses, representantes da Fundação, da administração municipal e dos diferentes atores locais irão construir um plano de ação detalhado para a cidade. A expectativa é mobilizar cerca de R$ 300 milhões em investimentos plurianuais e iniciar a execução das ações em 2027.
A iniciativa é baseada nas conclusões do relatório Fechando o Ciclo: Transformando os sistemas de resíduos urbanos e protegendo os rios do Brasil, publicado pela Fundação Ellen MacArthur em parceria com a Clean Rivers.
O estudo reúne contribuições de mais de 80 organizações, incluindo formuladores de políticas públicas, representantes de catadores, empresas, universidades, organizações da sociedade civil e instituições financiadoras. O documento identifica os principais desafios da gestão de resíduos urbanos no Brasil e apresenta oportunidades para fortalecer a coleta seletiva, aumentar a reciclagem e reduzir a poluição dos rios e oceanos.
“O Brasil tem os ingredientes para transformar a forma como gerencia a coleta e a reciclagem, incluindo bases políticas sólidas, vontade política e uma rede sofisticada de quase um milhão de catadores, que são o motor do sistema de reciclagem do país”, afirma Luisa Santiago, Diretora para a América Latina da Fundação Ellen MacArthur. “A lacuna de infraestrutura é uma barreira sistêmica central para a construção de uma economia circular para embalagens, ao lado da inovação em materiais e dos sistemas de reutilização. Estamos animados para trabalhar com o Recife e começar um novo modelo de colaboração entre cidades e empresas para fechar essa lacuna, com a esperança de que cidades e formuladores de políticas públicas em todo o Brasil possam aproveitar que aprendemos aqui”, completa.
O Recife foi selecionado por apresentar características semelhantes às de diversas cidades brasileiras, tornando-se um ambiente adequado para testar soluções escaláveis de gestão de resíduos.
Com aproximadamente 1,6 milhão de habitantes e uma extensa malha de rios, canais e pontes, a capital pernambucana reúne condições para demonstrar os impactos ambientais e sociais de um sistema mais eficiente de coleta e reciclagem.
Apesar dos avanços recentes, como o crescimento de 16,6% na reciclagem de plásticos em 2024 (índice superior ao dobro da média nacional), a cidade ainda enfrenta desafios importantes. Atualmente, apenas 1% dos domicílios possui acesso à coleta seletiva formal, evidenciando a necessidade de ampliar a infraestrutura e criar novos mecanismos de financiamento capazes de envolver governos, empresas e demais organizações.
“Recife é o lugar certo para iniciarmos nosso trabalho, por ser uma cidade definida por sua vasta rede de cursos d’água que deságuam no Atlântico Sul. Esta parceria é única enquanto esforço multiparticipante para enfrentar o vazamento e a poluição por resíduos”, afirma Deborah Backus, CEO da Clean Rivers. Segundo ela, o grupo espera, por meio da aplicação de recursos filantrópicos, atrair e mobilizar os investimentos necessários para construir este modelo que futuramente servirá para outras cidades brasileiras.
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