
21/11/2013
Palco de grandes batalhas urbanas, o Rio vem sendo cenário de mais um conflito. Porém, a guerra desta vez não está relacionada com os black blocs e a Polícia Militar, ou com os confrontos entre bandidos. A disputa em questão é silenciosa, desgarrada do noticiário. E acontece diariamente na cidade, de dia ou à noite, enquanto a fila do pão cresce, e o pôr do sol é aplaudido no Posto Nove. Trata-se da disputa que se dá no alto das árvores, envolvendo micos e pássaros. E, ao contrário do que se pode pensar, o assunto é sério.
Há algum tempo, apartamentos da cidade vêm ganhando novos moradores: pássaros (geralmente rolinhas, mas há relatos até de pica-paus) que fazem seus ninhos em vasos de plantas na sala de estar, em cima de xaxins da varanda, em prateleiras da área de serviço e até em cima de chuveiros. Uma das possíveis causas do fenômeno, de acordo com ornitólogos, são os micos.
Criaturas inegavelmente carismáticas, as espécies Callithrix jacchus e Callithrix penicillata — aqueles miquinhos de ar simpático, penugem branca no rosto e destreza impecável — são responsáveis por um desequilíbrio ambiental na fauna do Rio e, hoje, não são lá mais tão benquistos na cidade. Provenientes da Bahia, os símios pequeninos foram trazidos para a região Sudeste em meados da década de 1980 e daqui nunca mais saíram. Como aquela visita que se instala no sofá da sala e dali não levanta mais, o mico-estrela, como também é chamado, adaptou-se muito bem ao ambiente urbano carioca.
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