
12/11/2013
Uma nova rodada de negociações para a definição de um acordo climático global começou nesta semana, em Varsóvia, Polônia, com a missão de tentar antecipar para o quanto antes ações ambiciosas de redução das emissões de gases de efeito estufa. Ao menos essa é a expectativa da delegação brasileira, que chega com uma proposta de se criar um estímulo para isso.
Pelo cronograma estabelecido nas reuniões anteriores - as chamadas conferências do clima, ou COPs -, os quase 200 países membros da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC, em inglês) têm de chegar a um acordo até 2015 sobre um novo pacto de redução das emissões que seja válido para todas as nações e entre em vigor em 2020.
Até lá, o combate ao aquecimento global fica a cargo de metas voluntárias de alguns países e dos compromissos com o Protocolo de Kyoto (acordo válido apenas para as nações ricas, que expira em 2020).
Esses planos de redução, porém, estão muito aquém do necessário, como mostrou o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) na semana passada. O Relatório sobre a Lacuna de Emissões apontou que, mesmo que todos sejam cumpridos, a quantidade de CO2-equivalente lançada na atmosfera em 2020 deverá ficar 8 a 12 bilhões de toneladas acima do limite projetado como necessário para manter o aquecimento do planeta dentro de um limite de 2°C até 2100.
Proposta. Em entrevista ao Estado, o novo negociador-chefe da delegação brasileira, embaixador José Antonio Marcondes de Carvalho, disse que vai apresentar uma proposta de estímulo para que se eleve essas metas até o final da década.
"O risco é não se levar em conta a atual situação de concentração de gases de efeito estufa e ficarmos esperando o ano de 2020", disse. "Tenhamos a decisão política, cada país individualmente, de trabalhar isso, em dois aspectos. Os países desenvolvidos que têm compromissos assumidos pelo Protocolo de Kyoto 2 poderiam superar as suas metas inscritas e os países em desenvolvimento que tenham tomado atitudes voluntárias também. O estímulo seria permitir que essas ações possam ser contabilizadas no cálculo de metas para pós-2020. Permitiria aumentar a ambição e ter ambição já."
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