
12/11/2013
Com participação da UENF, uma pesquisa de impacto mundial indica que existam cerca de 16 mil espécies de árvores na Amazônia, com um número total estimado de 400 bilhões de indivíduos para a chamada Grande Amazônia, que inclui toda a bacia e as Guianas. Mas metade de todas estas árvores pertence a uma parcela muito pequena (227 ou 0,01%) das espécies encontradas. O estudo, que conta com a participação do professor Marcelo Trindade Nascimento, do Laboratório de Ciências Ambientais (LCA) da UENF, foi publicado pela revista Science (edição de 18/10/13), um dos mais prestigiados periódicos científicos do mundo. As pesqsuisas foram lideradas pelo pesquisador Hans ter Steege, vinculado ao Naturalis Biodiversity Center, da Holanda.
Os dados apontam ocorrer na Amazônia o que os cientistas chamam de espécies hiperdominantes. De acordo com Marcelo Trindade, a comunidade científica ainda não tem explicação segura para a grande concentração de árvores em poucas espécies. Mas algumas suposições sugerem que estas espécies, chamadas hiperdominantes, devem apresentar características particulares que as tornam mais resistentes a patógenos (organismos causadores de doenças) ou a herbívoros especialistas ou ainda mais capazes de competir por recursos tais como água e nutrientes do solo. Para o pesquisador, o mais provável é que estas espécies apresentem um conjunto de características, e não uma ou outra, que as auxilie a serem abundantes em determinados habitats.
Segundo Marcelo Trindade, embora o estudo não tenha feito análise sobre o grau de devastação, ele contribui para instruir iniciativas de preservação. É que grande parte das espécies são raras e próprias de um ou de poucos habitats, não estando uniformemente distribuídos na região, e por isso podem desaparecer se parte do seu habitat for destruído.
Para o pesquisador da UENF, a pesquisa reforça o consenso quanto à necessidade de uma política articulada de preservação da Amazônia, que inclua todos os diferentes habitats da região. Isto aponta para a necessidade de uma interação de esforços entre os países por onde a Amazônia se espalha.
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