
05/11/2013
A sustentabilidade pode ser usada como um mito perigoso para alimentar o consumo desenfreado. A opinião é de Christopher Barnatt, professor associado na Nottingham University Business School, no Reino Unido. Em artigo publicado em 27 de outubro, no Guardian Sustainable Business, o também autor do livro Sete maneiras de consertar o mundo sugeriu que a busca de crescimento constante não pode ser sustentável e que, em vez disso, devemos desconstruir nossa sociedade de consumo para uma transição voltada a "consumir menos e com mais valor".
"Infelizmente, agora, a sustentabilidade tornou-se uma obsessão da moda. Talvez a única coisa que a maioria dos políticos, economistas e muitos empresários anseiam ainda mais é o crescimento econômico constante, que é vendido por meio do conceito absurdo de crescimento econômico sustentável", apontou Barnatt. Segundo ele é impossível viver de forma sustentável, pois a vida é um "processo físico de consumo". "Podemos escolher alternativas mais sustentáveis, esse é um objetivo louvável, mas o que querem fazer é espalhar a propaganda de que há um meio de continuar vivendo como fazemos agora, mas de uma forma sustentável", criticou.
O professor lembrou que a humanidade ultrapassa cada vez mais cedo os limites ecológicos anuais do planeta (em 2013 foi no dia 20 de agosto), o que significa que consome mais recursos naturais do que a Terra pode suportar. "A não ser que mudanças drásticas sejam feitas, dentro de 20 anos a oferta mundial de petróleo, água potável, alimentos e muitos minerais deixará de atender a demanda. No entanto, mesmo neste contexto, acredito que devemos deixar a nossa obsessão perigosa com a ´sustentabilidade´" , sugeriu Barnatt.
Para embasar seus argumentos, o professor citou os exemplos da reciclagem e da energia renovável. Segundo ele, hoje vende-se a ideia de que o consumismo em massa pode continuar ininterruptamente, pois tudo que jogamos fora é "magicamente" reciclado. "Reutilizar os produtos em vez de jogá-los nos aterros é uma boa ideia, mas, infelizmente, faltam tecnologias para transformá-los em novas matérias-primas. A solução é consumir menos", defendeu.
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