
17/10/2013
As lagoas de Recreio, Barra e Jacarepaguá se transformaram num imenso campo de confinamento a céu aberto para um animal que de tão presente no passado há muito deveria ter se tornado um dos símbolos da cidade. Expulsos de cursos d´água, brejos e pântanos tragados pela expansão urbana descontrolada da Zona Oeste dos últimos anos, os jacarés foram empurrados para as lagoas poluídas. Se no passado causavam comoção ao serem encontrados dentro da piscina de alguém, agora se contam aos milhares a alguns metros de shoppings e condomínios. Especialistas estimam que a população das lagoas oscile de cinco mil a seis mil jacarés de papo-amarelo, quase todos machos, alguns com cerca de 3 metros de comprimento — o maior já capturado tinha 2,70 metros.
Embrenhados na vegetação, no lixo e na água escura esses grandes répteis conseguem passar incógnitos por muita gente. Embora não causem mais surpresa a quem passe com frequência pelas margens das lagoas e canais. À primeira vista, parece que os tempos do “Sertão carioca”, o lendário livro de Magalhães Corrêa sobre o pantanal do Rio nos anos 30, poderiam estar de volta. Não faltam anúncios de autoridades de que as lagoas estariam mais limpas. O retorno dos jacarés seria o sinal mais evidente disso.
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