
01/10/2026
Se este fosse um ano como os outros, alguns furacões já teriam se formado no Oceano Atlântico. Em 2005, por exemplo, um dos anos em que mais se registraram furacões, cinco deles já haviam atravessado o Oceano Atlântico nessa época do ano, incluindo o Katrina, um dos mais devastadores da história dos Estados Unidos.
Mas 2026 tem sido diferente. Até o dia 23 de setembro, apenas seis tempestades tropicais haviam se formado no Atlântico Norte, e nenhuma delas se intensificou a ponto de se tornar um furacão. Segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (Noaa), esta é a primeira vez que isso acontece desde o início do monitoramento por satélite, em 1966.
"Na era dos satélites, nunca tivemos um ano sem furacões", afirmou Matthew Rosencrans, meteorologista responsável pelas previsões da temporada de furacões no Centro de Previsão Climática da Noaa. "Seria uma situação inédita."
Em grande parte, isso se deve à atual fase da "Oscilação Sul-El Niño", um ciclo de mudanças nos ventos e nas temperaturas da superfície do Oceano Pacífico que influencia padrões climáticos em todo o mundo e é considerado um dos principais fatores que determinam a atividade de furacões. Meteorologistas afirmam que o El Niño deste ano poderá estar entre os mais intensos já registrados.
O Centro de Previsão Climática da Noaa informou que a energia ciclônica acumulada das tempestades tropicais deste ano —índice que leva em conta duração e intensidade das tempestades— atingiu níveis historicamente baixos para esta altura da temporada, cujo pico costuma ocorrer em 10 de setembro.
Nenhuma das seis tempestades registradas até agora alcançou ventos de, pelo menos, 119 quilômetros por hora, limite necessário para ser classificada como furacão de categoria 1 —capaz de provocar danos leves a casas, árvores e outras estruturas.
A denominação dessas tempestades varia conforme a região. No Atlântico Norte e no Pacífico Oriental, elas são chamadas de furacões. No Pacífico Ocidental, especialmente no leste da Ásia, recebem o nome de tufões. Já no Oceano Índico e no Pacífico Sul, geralmente são classificadas como ciclones.
Dados mais recentes da Noaa mostram que o El Niño continua se fortalecendo. O aumento da temperatura da superfície do mar na região-chave do Pacífico já supera 3 °C, o que indica um episódio considerado "muito forte" nos próximos seis meses e favorece uma temporada de furacões abaixo da média no Atlântico.
Quase toda a atividade de ciclones tropicais no Atlântico ocorre entre 1º de junho e 30 de novembro, embora furacões possam se formar em outras épocas do ano. Meteorologistas alertam, porém, que a calmaria observada até agora não descarta a ocorrência de um grande furacão antes do fim da temporada.
O padrão climático natural do El Niño reaparece, em média, a cada dois a sete anos e seus efeitos podem durar até um ano. Durante esse período, os ventos alísios —constantes e úmidos que sopram das regiões subtropicais (altas pressões) em direção à linha do Equador (baixas pressões)— enfraquecem e, em alguns casos, chegam a inverter sua direção. Essas alterações afetam a umidade, deslocam a corrente de jato atmosférica e dificultam a formação de tempestades no Atlântico.
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