
13/07/2026
Se há algo em que a China raramente decepciona é em sua capacidade de pensar grande. Arranha-céus erguidos em tempo recorde, pontes aparentemente impossíveis, cidades inteiras surgidas quase da noite para o dia.
Há quase meio século, houve um projeto muito menos chamativo, mas ainda assim monumental: plantar árvores em uma escala difícil de encontrar em qualquer outro lugar do mundo.
Desde 1978, o gigante asiático plantou cerca de 66 bilhões de árvores como parte da chamada Grande Muralha Verde, uma barreira vegetal concebida para conter o avanço dos desertos de Gobi e Taclamacã. O objetivo era impedir que a areia continuasse engolindo as pradarias do norte do país, uma região onde o deserto de Gobi chegava a avançar mais de 2.600 quilômetros quadrados por ano.
Segundo o site de notícias científicas Live Science, a China planeja plantar outros 34 bilhões de árvores até meados deste século, transformando ainda mais uma paisagem que já pouco se parece com a do fim dos anos 1970.
O curioso é que essa gigantesca muralha de árvores nunca foi criada para combater a mudança climática, mas sim para deter a desertificação. Ainda assim, seus efeitos acabaram indo muito além do objetivo inicial.
Segundo a revista Nature, a cobertura florestal nas regiões afetadas passou de 5% em 1978 para 14% em 2023. Com isso, não apenas diminuíram as tempestades de poeira, como também melhorou a qualidade do ar em grandes cidades.
Agora, uma nova pesquisa publicada na revista Geophysical Research Letters acrescenta uma faceta inesperada à história. As florestas plantadas parecem responder ao aumento do CO₂ de forma diferente das florestas naturais. Essa diferença se traduz em um crescimento muito mais rápido da cobertura de folhas, embora os pesquisadores ainda não saibam exatamente quais mecanismos explicam esse fenômeno.
Para chegar a essa conclusão, a equipe liderada pelo especialista em ecologia da paisagem Yuhang Luo, da Universidade de Pequim em Shenzhen, analisou observações de satélite do índice de área foliar, uma medida da densidade da folhagem relacionada à capacidade das florestas de capturar carbono.
Os resultados mostraram que esse indicador aumentou 66% mais rapidamente nas florestas plantadas do que nas naturais.
Parte dessa vantagem se explica pelo fato de as plantações serem muito mais jovens e ainda estarem atravessando sua fase de crescimento mais acelerado.
No entanto, a idade por si só não basta para explicar o fenômeno. Mesmo quando comparadas a florestas naturais de idade e condições semelhantes, as áreas reflorestadas cresceram 4,6% mais rápido.
Outra parte da explicação está na forma como essas plantações são administradas. Além de serem compostas, em geral, por espécies de crescimento rápido, como eucaliptos e álamos, elas recebem um manejo florestal mais intensivo, que favorece a absorção de luz, água e nutrientes e amplia a resposta das árvores ao aumento do dióxido de carbono na atmosfera.
Essa vantagem, porém, parece ter prazo de validade. Ela atinge seu pico quando as árvores têm entre 30 e 40 anos e depois começa a diminuir.
As florestas naturais, por sua vez, mantêm um desenvolvimento mais lento, porém constante, o que lhes proporciona vantagem no armazenamento de carbono e na resiliência de longo prazo, segundo as conclusões do estudo.
Luo afirma que esses resultados revelam uma limitação de muitos modelos climáticos atuais, que não diferenciam adequadamente florestas naturais e plantadas nem levam em conta a idade ou o histórico de manejo de cada área florestal, o que pode distorcer a avaliação de sua real capacidade de captura de carbono.
A matéria completa pode ser lida no g1
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