
05/02/2026
A emergência climática está cada vez mais evidente e intensifica a ocorrência de eventos como enchentes nas cidades. Um dos caminhos para mitigar os efeitos das mudanças climáticas são as Soluções Baseadas na Natureza, como as cidades esponja e os jardins de chuva. Além de ajudarem a conter a água da chuva, esses jardins trazem o verde para as ruas, ajudando a reduzir ilhas de calor, melhorando a qualidade do ar, favorecendo a biodiversidade e a qualidade de vida da população.
Mas você sabe o que são os jardins de chuva e como eles funcionam? Os jardins de chuva são estruturas projetadas e construídas em níveis mais baixos do terreno, capazes de receber, reter e infiltrar a água das chuvas de forma gradual. Ao contrário das superfícies impermeáveis, como asfalto e concreto, essas áreas cobertas de verde permitem que a água seja absorvida pelo solo, diminuindo a sobrecarga dos sistemas tradicionais de drenagem.
Criados na década de 1990, nos Estados Unidos, os jardins de chuva passaram a ser adotados em diversas cidades do mundo como alternativa sustentável para o controle de enchentes. No Brasil, começam a ser incorporados a projetos urbanos e empreendimentos imobiliários atentos aos desafios climáticos atuais.
“A lógica dos jardins de chuva é simples e eficiente e permite que a água permaneça no local por mais tempo, infiltrando-se naturalmente no solo, em vez de ser rapidamente direcionada para galerias que muitas vezes não suportam grandes volumes”, explica Mário Serralvo, arquiteto e gerente de novos negócios da 3z Realty.
A construtora está implementando jardins de chuva no bairro planejado Órigo, em Campinas, com o objetivo de garantir um escoamento mais eficiente das águas pluviais. O projeto do empreendimento prevê a instalação de dois jardins de chuva, que somam 228,38 m², integrados ao sistema de drenagem urbana do bairro.
Na prática, a água da chuva é conduzida até os jardins por meio de calhas, sarjetas ou inclinações do terreno. Ao chegar ao local, ela fica temporariamente armazenada e infiltra aos poucos no solo, passando por camadas filtrantes compostas por areia, brita e terra vegetal.
A vegetação tem papel essencial nesse processo. As espécies escolhidas, que são geralmente nativas e adaptadas a períodos de encharcamento, ajudam a manter a permeabilidade do solo, absorvem parte da água e contribuem para a evapotranspiração.
Além de auxiliar na contenção de enchentes e alagamentos, os jardins de chuva trazem benefícios ambientais importantes. Eles ajudam a recarregar aquíferos subterrâneos, reduzem a erosão, filtram poluentes presentes na água da chuva e contribuem para a melhoria do microclima urbano.
Outro diferencial é o impacto positivo no paisagismo urbano, ao transformar áreas técnicas de drenagem em espaços verdes integrados à cidade, promovendo biodiversidade e melhorando a qualidade de vida.
Em alguns projetos, os jardins de chuva são combinados com biovaletas, canais vegetados que conduzem e desaceleram o fluxo das águas pluviais. Essas estruturas funcionam como pequenos “riachos” artificiais, filtrando a água antes que ela chegue às redes de drenagem convencionais.
Segundo Mário Serralvo, a combinação dessas soluções é fundamental para enfrentar eventos climáticos extremos. “Temos adotado jardins de chuva e biovaletas nos empreendimentos justamente por entender que a drenagem urbana precisa ir além das soluções tradicionais. São estruturas que reduzem riscos de alagamento e, ao mesmo tempo, qualificam o espaço urbano”, afirma.
O arquiteto aponta ainda que com o avanço da impermeabilização das cidades e o aumento das chuvas intensas, soluções baseadas na natureza, como jardins de chuva e biovaletas, tendem a se tornar cada vez mais comuns. “Mais do que uma tendência, representam uma mudança de paradigma no urbanismo: conviver com a água da chuva de forma inteligente e sustentável, em vez de simplesmente afastá-la”, complementa Serralvo.
Fonte: CicloVivo
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