
03/02/2026
A queda de um eucalipto matou mais de 300 periquitos que se abrigavam da chuva na cidade de Lajeado Novo, no sudoeste do Maranhão. A informação é do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).
De acordo com o órgão ambiental, moradores relataram que a árvore caiu por fortes rajadas de vento durante um temporal na noite da última terça-feira (27). Algumas aves ficaram feridas ou atordoadas e parte delas conseguiu voltar a voar, enquanto as mais debilitadas foram capturadas por moradores da região.
O ICMBio disse que foi acionado na manhã do dia seguinte e que resgatou 32 aves com vida, após pedir que a população local entregasse os animais. Os periquitos receberam tratamento e foram transportados para Imperatriz.
Na sequência, as aves sobreviventes foram levadas ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) de São Luís, que pertence ao Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis).
Dos 32 periquitos resgatados, 24 estão vivos e em recuperação, de acordo com o ICMBio. "As aves agora permanecem sob cuidados especializados e poderão ser reintroduzidas à natureza, conforme a evolução clínica."
O Ibama afirma que o estado das aves é delicado e que algumas apresentam fraturas e hemorragias internas.
Leonardo Moreira, médico veterinário e professor na Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão, acompanhou o resgate dos periquitos e diz ter suspeitado que a queda de um raio tivesse matado os animais. Depois, afirma ter constatado que o cenário era típico de ventania, com outras árvores caídas e sem sinais de queimadura no eucalipto.
"Aparentemente as aves que estavam abrigadas do lado que teve contato com o solo não tiveram tempo de sair devido à velocidade da queda", diz. "Ao final da tarde, foi possível ver um bando muito grande de periquitos pousando em árvores próximo ao local do acidente, provavelmente os sobreviventes que conseguiram voar durante a queda."
O veterinário explica que muitas aves não têm um mecanismo de impermeabilização das penas tão eficiente: "Se as penas ficam molhadas, as asas perdem a eficiência de sustentação para o voo e elas simplesmente não conseguem voar".
Moreira afirma que muitos animais apresentaram lesões traumáticas, como fraturas expostas e arrancamento da pele. Outros mostravam uma aparente docilidade, o que o professor identifica como indício de lesão no crânio.
"Apesar de não termos feito necrópsia, sabemos que em trauma de alto impacto como esse, muitos animais sofrem hemorragia interna principalmente por ruptura do fígado, mas também de pulmão e outros órgãos", explica.
Fonte: Folha de S. Paulo
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