
03/02/2026
Na neve, elas são verdes ou vermelhas. No gelo, têm uma cor cinza amarronzada. E estão fazendo derreter cada vez mais rápido a cobertura de gelo que envolve a Groenlândia.
À medida que o clima em aquecimento corrói o gelo que cobre a maior parte da maior ilha do mundo, a proliferação das algas está acelerando esse processo, segundo dois novos estudos. O país está perdendo centenas de bilhões de toneladas de gelo a cada ano e, com isso, elevando o nível do mar.
O vento levanta uma poeira rica em fósforo do solo rochoso da Groenlândia e a joga sobre o gelo, onde alimenta as florações de algas. Ali, outros nutrientes já estão presos em diferentes camadas do gelo e são liberados à medida que elas derretem, fortalecendo ainda mais a multiplicação.
Formando manchas escuras, as algas impedem que o gelo reflita a radiação solar, acelerando o derretimento. E à medida que a paisagem descongela, mais nutrientes são liberados, em um ciclo de retroalimentação que garante que a propagação continuará.
Se a camada de gelo da Groenlândia desaparecesse completamente, uma possibilidade sugerida por alguns estudos, o nível do mar poderia subir até 7 metros, submergindo cidades costeiras em todo o mundo.
O Ártico, onde fica o país, está aquecendo quatro vezes mais rápido que o resto do planeta e o gelo marinho flutuante que circunda a Groenlândia está desaparecendo.
Essa mudança, provocada pelo aquecimento global, está abrindo o acesso marítimo na região e levando líderes mundiais a considerar as possíveis vulnerabilidades militares e oportunidades econômicas. Um deles é o presidente americano Donald Trump, que disse que quer controlar a Groenlândia, um território da Dinamarca.
Sob o gelo que some rapidamente na Groenlândia, há vastos recursos minerais, petrolíferos e de gás. A mineração e a perfuração para extrair esses recursos liberariam outras partículas, como a fuligem industrial, que poderiam escurecer o gelo ainda mais e acelerar o derretimento.
"Existem muitos fatores diferentes que contribuem para o derretimento da camada de gelo, e este projeto estava tentando entendê-los individualmente", disse Jenine McCutcheon, professora da Universidade de Waterloo e autora principal de um dos estudos, publicado na revista Environmental Science and Technology.
As algas são responsáveis por cerca de 13% da água de degelo que escoa no sudoeste da Groenlândia, segundo a cientista. A área é uma das que estão derretendo mais rapidamente e tem uma zona escura bem documentada.
Scott Hotaling, professor da Universidade Estadual de Utah que estudou algas na neve e não tem envolvimento com a pesquisa, chamou a descoberta de fascinante.
A física da poeira e das algas nas geleiras são frequentemente estudadas separadamente, mas o novo artigo combinou dados sobre ambos, segundo Hotaling.
O estudo também descobriu que pedaços microscópicos de algas são transportados pelo ar, dando aos cientistas uma das primeiras pistas sobre como essas florações colonizam novas regiões congeladas.
Outro artigo, publicado na revista Nature Communications, mostra que esses nutrientes provavelmente foram incorporados em cada camada de neve à medida que elas congelam e se acumulam ao longo do tempo. Os pesquisadores descobriram que fósforo e nitrogênio são liberados durante os verões árticos, fornecendo outra fonte de alimento para as algas.
"Isso é empolgante porque sabemos muito pouco sobre o que controla o crescimento de algas nas superfícies geladas", disse Beatriz Olivas, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, que liderou o estudo.
O que surpreendeu os cientistas é que mesmo quantidades extremamente pequenas de nutrientes, encontradas nas profundezas do gelo, eram suficientes para sustentar o crescimento de algas.
Saiba mais acessando a Folha de S. Paulo
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