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Ursos-polares estão engordando enquanto derretimento de gelo aumenta no Ártico

03/02/2026

A população de ursos-polares no arquipélago de Svalbard, na Noruega, registrou uma melhoria nos últimos 27 anos, apesar das previsões de que o derretimento do gelo marinho dificultaria a busca por alimento.
Pesquisadores em Svalbard, que fica entre a Noruega continental e o polo Norte, compararam o índice de condição corporal, uma medida de peso e teor de gordura dos ursos-polares, com a taxa de derretimento do gelo marinho no mar de Barents. Durante um período de 27 anos, descobriram, para sua surpresa, que os ursos-polares estavam, na verdade, ganhando peso à medida que o gelo recuava.
"Quando comecei, se você me perguntasse ‘O que você acha que vai acontecer?’, eu presumiria que eles estariam lutando para sobreviver, ficariam mais magros, mais esqueléticos, e talvez você veria efeitos na reprodução e sobrevivência", disse Jon Aars, cientista sênior do Instituto Polar Norueguês e autor do estudo, publicado na quinta-feira (29) na revista Scientific Reports. "Eu estava errado."
A população de ursos-polares de Svalbard permaneceu estável em 2.650 animais, enquanto o número de dias sem gelo aumentou em 100 desde o início do período do estudo.
Aars disse que alguns dos ursos-polares agora estão comendo renas e morsas, cujas populações aumentaram desde que foram protegidas da caça. Outros estão aproveitando concentrações mais densas de focas-aneladas, que se reúnem em manchas remanescentes de gelo marinho, ou comendo novos alimentos como ovos de pássaros.
"Eles sempre foram capazes de tirar o melhor da situação e encontrar novas maneiras de fazer as coisas", disse Aars sobre os ursos-polares, que ele estuda desde 2003.
Aars advertiu que o aumento de peso corporal dos ursos de Svalbard pode ser temporário. O Ártico está aquecendo várias vezes mais rápido que o resto do planeta, e a temperatura na área do mar de Barents subiu 2°C desde 2000. Ao mesmo tempo, o gelo marinho local diminuiu duas vezes mais rápido do que qualquer uma das outras 19 áreas onde os ursos-polares vivem, segundo o estudo.
"Haverá um limite e, quando ele for ultrapassado, veremos os ursos-polares começando a perder peso e tendo mais problemas para sobreviver e se reproduzir", disse Aars. "Não sabemos quão profunda será essa mudança, e não sabemos se isso acontecerá em 5, 10 ou 20 anos."
Aars disse que um pequeno grupo de cerca de 250 ursos de Svalbard não viaja longe para buscar comida, enquanto um grupo maior segue o gelo marinho para caçar focas. Os ursos mais estacionários estão encontrando mais alimento em terra.
No entanto, à medida que mais gelo marinho derrete, o grupo maior pelágico (que vive mais afastado no mar) terá que nadar mais longe para alcançar seu alimento durante o inverno antes de retornar à terra para se reproduzir com a mudança das estações.
"Essas longas viagens de natação são energeticamente exigentes", escreveram os autores.
Embora o novo estudo seja surpreendente, isso não significa que a população global de ursos-polares, de cerca de 26 mil animais, esteja prosperando, segundo os biólogos.
Das 20 subpopulações distintas de ursos-polares ao redor do Ártico, 2 grupos estão aumentando em tamanho, 4 estão estáveis e 3 estão em declínio. Os cientistas não têm informações suficientes para os outros 11 subgrupos, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza, rede global de conservação.
"À medida que você perde gelo, você acaba perdendo ursos", disse John Whiteman, cientista-chefe do grupo de conservação Polar Bears International e professor-associado da Universidade Old Dominion (EUA). "Mas a questão é: a curto prazo, quais são as circunstâncias regionais, e elas permitirão que os ursos persistam por um tempo diante da perda de gelo?"
Além da perda de gelo marinho, os ursos-polares também enfrentam ameaças do aumento do tráfego marítimo nas águas árticas, substâncias tóxicas que contaminam seus suprimentos alimentares e a caça, segundo os pesquisadores.
Aars e Whiteman disseram que toda a população de ursos-polares está enfrentando ameaças, mas o clima em aquecimento está afetando cada grupo de maneira diferente. Além disso, obter dados sobre como os ursos estão se saindo é difícil e perigoso.
A cada primavera, Aars e seus colegas sobrevoam a região em um helicóptero, atiram nos animais com dardos tranquilizantes e depois os medem. Aars disse que tenta evitar os ursos, se possível.
"Fomos atacados uma vez em um acampamento ", disse ele. "Mas conseguimos assustar o urso e afastá-lo."

Fonte: Folha de S. Paulo

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