
09/12/2025
"Em 1º de janeiro de 1837, enquanto lutávamos contra as dificuldades que as plantas do rio Berbice impunham ao nosso progresso, avistei em um pequeno riacho uma folha gigantesca, com a borda elevando-se alguns centímetros acima da água. Ao me aproximar, fiquei impressionado com a aparência de uma flor que, em sua magnífica beleza, superava tudo o que eu havia visto até então."
Esse foi o relato de Sir Robert H. Schomburgk, explorador e botânico alemão a serviço do Império Britânico, no periódico da Royal Geographical Society, de seu primeiro encontro com a majestosa planta aquática que logo cativaria seus contemporâneos.
Mas Schomburgk não foi o primeiro a se maravilhar com tal espetáculo.
Décadas antes, o naturalista tcheco-alemão Thaddäus Haenke já havia registrado essas folhas colossais perto da fronteira entre a Bolívia e o Paraguai.
Pouco depois, o francês Alcide d´Orbigny também a descreveu durante suas viagens pela América do Sul.
Ainda assim, a maravilha de ver esta extraordinária criação da natureza pela primeira vez fascina até os dias de hoje.
As folhas, as flores e as sementes dessa espécie foram levadas ao Museu Nacional de História Natural de Paris, mas não receberam muita atenção.
No Reino Unido, aconteceu o contrário.
O país era obcecado por botânica, com novas plantas que chegavam diariamente à medida que novos territórios eram explorados — o que contribuiu para se formar o que seria o maior império do mundo.
A Guiana, então chamada de Guiana Britânica, havia sido cedida pelos holandeses aos britânicos duas décadas antes. Porém, até a viagem de Schomburgk, ainda era praticamente desconhecida dos europeus.
A descoberta de um espécime tão formidável naquele local coincidiu com a ascensão ao trono da jovem Vitória.
Portanto não é surpresa que a planta tenha recebido seu nome: Victoria regia (mais tarde Victoria amazonica).
Ela foi imediatamente aclamada como uma das maravilhas da era vitoriana, e despertou não apenas fascínio entre súditos, mas também uma acirrada competição entre a aristocracia para cultivar essa joia tropical longe de seu local de origem.
Além disso, suas folhas inspiraram o projeto do Crystal Palace, o Palácio de Cristal de Londres, um marco de audácia e leveza cujo uso pioneiro de ferro e vidro em grande escala, juntamente com a concepção inovadora de espaço interior, o tornou um pilar da arquitetura moderna.
Hoje, continuamos a viver o legado e a inspiração dessa planta amazônica.
A sua influência — tanto técnica como conceitual — perdura na maioria dos edifícios contemporâneos que priorizam a leveza, a transparência, a funcionalidade e a industrialização dos materiais.
A matéria na íntegra pode ser lida no g1
Onde está a Sueli? Arara monitorada reaparece na Floresta da Tijuca após fuga; equipe tenta fazer recaptura
29/10/2026
Partiu Reciclar: mapa indica pontos de descarte na rede Carrefour
29/10/2026
Governo restabelece regras e libera pesca na foz do Rio Doce após 10 anos do desastre de Mariana
29/10/2026
Áreas de vegetação nativa ficaram menores e mais isoladas no Brasil; país tem 3,4 milhões de fragmentos
29/10/2026
Pará tem mais da metade dos focos de incêndio no Brasil
29/10/2026
Califórnia abriga o maior berçário de polvos de águas profundas
29/10/2026
