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Revista Nature ´despublica´ estudo que previa impacto climático catastrófico na economia

09/12/2025

Em abril de 2024, a prestigiada revista Nature publicou um estudo concluindo que as mudanças climáticas causariam muito mais danos econômicos até o final do século do que estimativas anteriores haviam sugerido. A conclusão ganhou manchetes e citações em todo o mundo e foi incorporada em cenários de gestão de risco utilizados por bancos centrais.
Nesta quarta-feira (3), a Nature "despublicou" o estudo, alimentando o debate sobre a extensão do impacto das mudanças climáticas na sociedade.
A decisão veio depois que uma equipe de economistas notou problemas com os dados de um país, o Uzbequistão, que distorceram significativamente os resultados. Se o Uzbequistão fosse excluído, eles descobriram, os danos pareceriam semelhantes aos de pesquisas anteriores. Em vez de uma queda de 62% na produção econômica até 2100 em um mundo onde as emissões de carbono continuam sem controle, a produção global seria reduzida em 23%.
Certamente, eliminar mais de 20% da atividade econômica mundial ainda seria um golpe devastador para o bem-estar humano. Os críticos do artigo enfatizam que as mudanças climáticas são uma grande ameaça, como meta-análises recentes descobriram, e que mais deveria ser feito para enfrentá-las —mas, dizem eles, resultados incomuns devem ser tratados com ceticismo.
"A maioria das pessoas na última década pensava que uma redução de 20% em 2100 já era um número incrivelmente grande", disse Solomon Hsiang, professor de política ambiental global na Universidade Stanford, um dos autores de crítica publicada em agosto. "Então, o fato de este artigo dizer 60% está completamente fora da escala."
Retrações tornaram-se mais comuns nos últimos anos, de acordo com o Retraction Watch, uma organização que acompanha correções em revistas científicas. Mas ainda são raras, representando cerca de 1 em cada 500 artigos publicados.
Os economistas há muito lutam para incorporar impactos granulares, às vezes sutis, das mudanças climáticas em modelos que fazem previsões para o futuro distante, especialmente quando combinados com algo tão complexo quanto a economia global.
O estudo foi liderado por Leonie Wenz, economista do Instituto Potsdam de Pesquisa sobre o Impacto Climático na Alemanha, e Maximilian Kotz, que era pesquisador de pós-doutorado no instituto. A equipe desenvolveu várias técnicas inovadoras para capturar de forma mais abrangente as ramificações econômicas das mudanças climáticas.
Eles usaram um conjunto de dados meticulosamente compilado sobre condições econômicas em áreas geográficas menores que países, como estados e províncias. Incorporaram uma variedade de condições climáticas, como chuvas e ondas de calor, em vez de apenas temperaturas médias. E levaram em conta os efeitos de eventos climáticos extremos ao longo de uma década, em vez de assumir que eles se dissipavam rapidamente.
"Estávamos tentando entender por quanto tempo podemos observar esses impactos nos dados", disse Wenz. "Isso levou a magnitudes de danos mais altas em comparação com trabalhos que não levavam em conta esses efeitos mais persistentes."
Isso também levou a uma comparação impressionante com os custos de evitar o aquecimento catastrófico. Os danos que estão essencialmente contratados para os próximos 25 anos custarão seis vezes o dinheiro necessário para reduzir as emissões de modo a limitar em 2°C o aquecimento do planeta, o objetivo estabelecido pelo Acordo de Paris.
O escopo ambicioso do artigo atraiu a NGFS (Network for Greening the Financial System), uma rede de bancos centrais e reguladores financeiros principalmente europeus, enquanto atualizava um guia usado para testar se os bancos permaneceriam sólidos à medida que os danos climáticos aumentassem.
Depois que surgiram questionamentos, a organização adicionou um aviso ao guia e disse que contaria com uma gama mais ampla de pesquisas para atualizações futuras.
O artigo também foi citado pela OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico) e estava entre os 5% de trabalhos de revistas rastreados pelo Altmetric, uma ferramenta de medição de impacto de pesquisas. O Carbon Brief, um veículo de notícias focado no clima, apontou que ele foi o segundo artigo sobre clima mais referenciado em 2024.

Termine de ler esta reportagem clicando na Folha de S. Paulo

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