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Mundo começa a frear emissões e amplia metas climáticas

30/10/2025

Às vésperas da COP30 em Belém do Pará, um novo relatório das Nações Unidas mostra que o mundo está finalmente começando a achatar a curva das emissões de gases de efeito estufa — mas ainda não na velocidade necessária.
O documento também revela uma nova geração de metas climáticas (NDCs) mais amplas e inclusivas, que agora cobrem quase todos os setores da economia — da segurança alimentar aos oceanos — e incorporam temas como gênero, juventude e transição justa.
Segundo o relatório de síntese da Convenção de Clima (UNFCCC) divulgado nesta terça-feira (28), 89% dos países agora têm metas que cobrem toda a economia; 73% incluem planos de adaptação; 70% tratam de transição justa; 89% abordam igualdade de gênero; 88% incluem crianças e jovens em suas estratégias; e 78% mencionam o oceano em suas NDCs, um aumento de 39% em relação ao ciclo anterior.
Essas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs) indicam também que as emissões globais podem cair 10% até 2035. O estudo analisou 64 novas ou atualizadas NDCs apresentadas entre janeiro de 2024 e setembro de 2025, representando cerca de 30% das emissões globais.
A ONU descreve as novas metas como “um sinal de progresso real e crescente”, mas o relatório alerta que “ainda é necessária uma aceleração significativa” para cumprir as metas de temperatura do Acordo de Paris. “As Partes estão achatando sua curva combinada de emissões, mas ainda não com rapidez suficiente”, afirma o texto.
Além disso, a ausência de metas de grandes emissores como a União Europeia, Índia e China comprometem o alcance da análise.
“Um relatório com apenas um terço dos dados não permite avaliar corretamente o que vai acontecer, mas nos diz muito sobre o grau de comprometimento dos países com o maior desafio que a humanidade enfrenta”, avalia Stela Herschmann, especialista em Política Climática do Observatório do Clima.
Para Anna Cárcamo, especialista em Política Climática do Greenpeace Brasil, o relatório da ONU evidencia que os compromissos atuais são insuficientes. “A COP30 deve responder de forma efetiva para ampliar a ambição e a justiça climática, acelerando o fim dos combustíveis fósseis e do desmatamento, e ampliando a adaptação e o apoio financeiro aos países mais vulnerabilizados.”
“De novo, a mensagem principal é de urgência: precisamos aumentar a ambição, ampliar esforços e engajamento, e intensificar o ritmo da transição para longe dos combustíveis fósseis”, afirma Bruno Toledo Hashimoto, analista de Diplomacia Climática do ClimaInfo.
Se plenamente implementadas, as novas NDCs reduziriam as emissões totais dos países que reportaram para cerca de 13 gigatoneladas de CO₂ equivalente (GtCO₂e) até 2035 — uma queda de 6% em relação às projeções anteriores e cerca de 17% abaixo dos níveis de 2019. Com o cumprimento de todas as metas condicionais, a redução poderia chegar a 24%. O relatório prevê ainda que as emissões desse grupo de países devem atingir o pico antes de 2030, seguidas de “fortes reduções depois disso”, em linha com as metas de neutralidade de carbono entre 2040 e 2060.
Mas a Convenção de Clima ressalta no próprio relatório que a implementação dessas metas depende fortemente de financiamento e cooperação internacional.
Os países que declararam necessidades financeiras estimam o custo total de implementação de suas novas metas em quase US$ 2 trilhões — incluindo cerca de US$ 1,3 trilhão para mitigação e US$ 560 bilhões para adaptação.
“A implementação das novas NDCs exige uma cooperação internacional forte e contínua e abordagens inovadoras para liberar financiamento em escala para países em desenvolvimento”, afirma o relatório.
Reagindo ao documento, o secretário executivo da UNFCCC, Simon Stiell, disse que ele sinaliza uma nova era de ambição, mas advertiu que o mundo ainda não se move rápido o suficiente.
“Pela primeira vez, a humanidade está claramente curvando para baixo a trajetória das emissões, embora ainda não com a velocidade necessária”, afirmou Stiell. “Estamos ainda na corrida, mas para garantir um planeta habitável para os oito bilhões de pessoas de hoje, precisamos acelerar urgentemente — na COP30 e em todos os anos seguintes.”
Para Laurence Tubiana, CEO da European Climate Foundation e uma das formuladoras do Acordo de Paris, a própria economia está liderando onde os governos falham. “Mesmo quando certos governos resistem ao progresso ou ficam para trás, cidadãos e empresas continuam a empurrar a economia real rumo a um futuro sustentável e mais verde.”

Fonte: CicloVivo

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