UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Cascas de açaí e castanha viram energia renovável na UFLA

28/10/2025

Um novo estudo da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, apresenta uma solução sustentável e inovadora: transformar resíduos agroindustriais da Amazônia em carvão vegetal, uma fonte de energia renovável. A pesquisa concentra-se na casca da castanha-do-pará e nos restos do açaí, materiais amplamente descartados, mas que possuem alto potencial energético.
O Brasil é o maior produtor mundial de açaí, com uma produção anual de aproximadamente 1,7 milhão de toneladas, enquanto a castanha-do-pará atinge cerca de 38 mil toneladas. A pesquisa da UFLA propõe uma alternativa para reduzir o desperdício desses resíduos, contribuindo para uma bioeconomia sustentável na região amazônica.
Por meio do processo de pirólise – aquecimento controlado realizado sem oxigênio, que resulta em um produto com propriedades energéticas otimizadas – os resíduos são convertidos em biochar. Esse biocombustível sólido promete aumentar a eficiência energética e reduzir os impactos ambientais. A doutoranda Ianca Oliveira Borges, responsável pelo estudo, explica que “os biocombustíveis sólidos são combustíveis de origem vegetal que se encontram em estado sólido à temperatura e pressão ambiente. São uma forma de aproveitar a biomassa e, em geral, são mais sustentáveis do que os combustíveis fósseis, pois são renováveis e emitem menos gases poluentes”.
Os resultados revelaram que o resíduo de açaí possui um poder calorífico superior de 19,77 MJ/kg, enquanto a casca da castanha-do-pará alcança 21,07 MJ/kg. Esses valores indicam um potencial energético elevado, superando muitos biomateriais convencionais. Além disso, o biochar produzido apresenta maior estabilidade térmica e menor teor de voláteis, tornando-o uma opção eficaz para substituir combustíveis fósseis como petróleo, carvão e óleo diesel.
A pesquisa vai além da produção energética: oferece uma nova forma de transformar resíduos descartados em recursos renováveis, beneficiando comunidades locais e promovendo o desenvolvimento socioeconômico em regiões vulneráveis.
Além disso, o biochar atua como um “fixador de carbono”, melhorando a qualidade do solo e colaborando para a sustentabilidade ambiental. Segundo Ianca, “uma das principais vantagens do biochar é a sua produção a partir de materiais orgânicos de fontes renováveis, reduzindo a dependência de combustíveis fósseis e contribuindo para um modelo de economia circular”. Além disso, a combustão gera menos emissões de dióxido de carbono comparado aos combustíveis fósseis convencionais, uma vez que “parte do carbono contido no biochar permanece fixado no material, evitando sua liberação para a atmosfera”. Outra característica relevante é seu “alto poder calorífico, tornando-o uma alternativa eficiente para sistemas de aquecimento e geração de energia, sem a necessidade de grandes ajustes tecnológicos”, completa.
Além dos benefícios energéticos, o biochar pode ser incorporado ao solo para aumentar sua fertilidade e capacidade de retenção de água, funcionando como um sumidouro de carbono e auxiliando na mitigação das mudanças climáticas. “Esse uso adicional amplia sua sustentabilidade, tornando-o uma alternativa viável para diversas aplicações ambientais e energéticas. Dessa forma, o biochar não apenas substitui combustíveis fósseis em certas funções, mas também oferece vantagens ecológicas significativas, promovendo um uso mais eficiente dos recursos e reduzindo impactos ambientais negativos”, destaca a pesquisadora.
A iniciativa está em sintonia com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU), que visam garantir acesso à energia limpa e acessível, promover o consumo responsável e combater as mudanças climáticas. “A valorização da biomassa amazônica, por meio da produção de biochar, aponta para um caminho promissor na luta contra as mudanças climáticas. Ao transformar resíduos em recursos, a ciência está ajudando a construir um futuro mais sustentável para a Amazônia e para o mundo”, conclui Ianca.

Fonte: CicloVivo

Novidades

MPF aciona ICMBio e Prefeitura do Rio por degradação ambiental no Parque Nacional da Tijuca

03/02/2026

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com uma ação civil pública contra o Instituto Chico Mendes...

Governo de MG multa Vale em R$ 1,7 milhão e suspende atividades após extravasamentos

03/02/2026

O governo de Minas Gerais multou a mineradora Vale em R$ 1,7 milhão e determinou a suspensão de ativ...

Queda de árvore mata mais de 300 periquitos no Maranhão

03/02/2026

A queda de um eucalipto matou mais de 300 periquitos que se abrigavam da chuva na cidade de Lajeado ...

Restauração de restinga avança nos Lençóis Maranhenses

03/02/2026

Uma iniciativa inédita de restauração ambiental começou a transformar áreas degradadas de restinga n...

Abrolhos, na Bahia, se torna candidato a patrimônio natural da Unesco

03/02/2026

O Parque Nacional Marinho de Abrolhos, no litoral sul baiano, é o mais novo candidato do Brasil a in...