
28/10/2025
A COP30 deveria reservar 90% das negociações à transição para longe dos combustíveis fósseis e apenas 10% às florestas, como uma forma de fazer jus ao panorama das emissões de gases-estufa. A afirmação é da matemática Thelma Krug, líder do comitê científico da 30ª conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas.
Ela faz elogios ao Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), uma aposta do Brasil para a cúpula em Belém, mas diz que o evento não pode deixar de abordar a principal causa do aquecimento do planeta: a exploração e a queima de petróleo, gás natural e carvão.
Para a cientista, a urgência em concentrar o debate nos fósseis sempre existiu, mas ganha ainda mais força com a afirmação do secretário-geral da ONU, António Guterres, de que o mundo não atingirá a meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C em relação à era pré-industrial.
"O foco é combustíveis fósseis, não tem por onde fugir. Tem uma pressão enorme para que florestas entrem com peso significativo nas discussões da COP30, o que eu não concordo", diz Krug, que ocupou a vice-presidência do IPCC, o painel científico da ONU para o clima, de 2015 a 2023.
A transição para longe dos combustíveis fósseis foi definida na COP28, em 2023, mas não houve avanços após isso. Uma reunião sobre o assunto na pré-COP, em Brasília, terminou com forte oposição dos negociadores da Arábia Saudita.
"O compromisso é de todos os países que estão abrindo novos poços para exploração e exportação de petróleo, não só do Brasil", comenta sobre a licença do Ibama para a perfuração da Petrobras na bacia Foz do Amazonas, concedida nesta segunda-feira (20).
Leia a entrevista na Folha de S. Paulo
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