
21/10/2025
Um grupo de cinco a seis orcas, entre elas um filhote recém-nascido, foi avistado neste fim de semana nas águas da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O registro foi feito pelo oceanógrafo Tato Slerca, que navegava pela região na manhã do último domingo acompanhado de familiares e amigos.
As imagens, que encantaram as redes sociais, mostram os animais nadando próximos à superfície e interagindo com o barco. Segundo Slerca, o grupo parecia estar em atividade de caça.
— Vimos um grupo de cinco a seis orcas, incluindo um filhotinho, a cerca de 20 milhas, aproximadamente 37 km, da costa da Barra da Tijuca. Elas interagiram bastante com o barco e chegaram bem perto do motor, nessas horas, até colocamos o motor em neutro com medo de machucá-las — contou o oceanógrafo.
Slerca explicou que o grupo observado era composto apenas por fêmeas, o que pôde ser identificado pelo formato das barbatanas dorsais, mais baixas do que as dos machos.
— Dá para perceber facilmente. Não havia nenhum macho, e o filhote me chamou atenção pela coloração amarelada nas partes brancas, o que indica que ele era recém-nascido. Essa coloração é um sinal muito mais confiável de que o filhote é novo do que apenas o tamanho dele — disse Slerca.
O oceanógrafo destacou ainda o comportamento social das orcas, que vivem em grupos matriarcais. Segundo ele, esses grupos são liderados pela fêmea mais velha. Todos os descendentes dela permanecem juntos até que o grupo fique grande demais para caçar de forma eficiente. Aí, a segunda fêmea mais velha se separa e forma o seu próprio grupo. Para o especialista, a ausência de machos entre as orcas vistas no Rio é algo natural nesse tipo de estrutura social.
— Os machos se afastam para socializar e, eventualmente, se reproduzir com fêmeas de outros grupos. As orcas têm consciência de que não devem procriar com fêmeas da própria família. É uma espécie extremamente inteligente.
Slerca lembrou também que, embora as orcas sejam os maiores predadores do oceano, praticamente não há registros de ataques a humanos em ambiente natural. Ele ressalta que no Brasil é proibido mergulhar intencionalmente com cetáceos, como baleias e golfinhos.
Apesar da surpresa com o avistamento, o pesquisador explica que orcas podem ser encontradas em todos os oceanos do planeta, do Polo Norte à Antártida, embora os registros no litoral carioca sejam raros.
— É mais comum vê-las em regiões como Arraial do Cabo, Búzios e Ilhabela. No Rio, é realmente incomum. Se eu não tivesse saído do estado exatamente naquele local, às 6h, talvez ninguém tivesse registrado essas orcas — afirmou Tato.
No Instagram, Slerca comemorou o encontro e descreveu a experiência como “histórica”.
“Ontem foi um dia histórico! Encontramos um grupo de 5-6 orcas fêmeas, 20 milhas pra fora da Barra da Tijuca! Elas pareciam estar caçando e interagiram muito com nosso barco! Tinha um filhote praticamente recém-nascido no grupo. Que privilégio poder ver esses animais incríveis aqui na nossa costa brasileira!”, escreveu.
As orcas costumam ser vistas em águas mais frias, mas, em certas épocas do ano, se aproximam da costa em busca de alimento, como peixes e golfinhos.
Fonte: O Globo
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