UERJ UERJ Mapa do Portal Contatos
Menu
Home > Atualidades > Notícias
Como o turismo pode ajudar a preservar áreas naturais?

09/10/2025

Muita gente associa o turismo apenas ao lazer, mas a realidade mostra que quando planejado com critérios, ele também pode funcionar como política de conservação.
No Brasil, parques nacionais e iniciativas privadas oferecem pistas desse potencial.
No Pantanal, o Onçafari se tornou referência ao transformar a onça-pintada em ativo econômico e símbolo de conservação. A iniciativa estruturou safáris fotográficos e pesquisa de campo, aproximando fazendeiros e comunidades do maior felino das Américas.

“O Onçafari demonstrou que as onças valem mais vivas do que mortas, através do ecoturismo”, afirma ao g1 Mario Haberfeld, fundador e CEO.

Ele explica que o processo de habituação faz com que os animais deixem de ver os veículos como ameaça e que isso atrai visitantes do mundo todo, gerando renda e novas oportunidades.
“A comunidade se beneficia ao perceber que a onça-pintada viva tem mais valor do que morta.”

E a mudança é percebida também na renda local. Segundo Haberfeld, ex-peões de gado foram treinados como guias e viram a remuneração crescer, enquanto proprietários passaram a diversificar o negócio com o ecoturismo, sem abandonar a pecuária.
O fundador da iniciativa ressalta, no entanto, a importância de regras claras para evitar interferências no comportamento dos animais e preservar a qualidade da experiência.
Para ele, o modelo é replicável em outros biomas, com adaptações de acordo com espécie e ambiente, e já avança com lobos-guará no Cerrado.
Em Bonito, no Mato Grosso do Sul, o limite diário de visitantes e a cobrança de taxa de conservação ajudam a manter rios, trilhas e cavernas preservados.
Já em Maragogi, em Alagoas, turistas participam do plantio de “bebês-corais” nos recifes, contribuindo para a recuperação marinha.
Em Santa Catarina, o Instituto Alouatta soma mais de 25 mil participantes em trilhas e ações de educação ambienta
E em comunidades quilombolas como Alto do Santana, em Goiás, e Laranjituba, no Pará, o turismo valoriza cultura, culinária e o território tradicional, com impacto direto na renda.
Outro exemplo é o chamado aviturismo, que amplia esse leque ao se apoiar na ciência-cidadã e na capilaridade de observadores pelo país.
“O Brasil tem um elevado número de espécies de aves (cerca de 1971) e um grande número de endemismos - Aves que ocorrem somente no brasil (293)”, diz Guto Carvalho, criador e organizador do AvistarBrasil, maior feira de aves da América Latina.
Ele vê uma base estruturante na rede de observadores e em uma rede de operadores de qualidade internacional, além da infraestrutura aérea que conecta destinos de Norte a Sul.
“Esse conjunto de fatores são estratégicos para o desenvolvimento do turismo de observação de aves.”
Por isso, Carvalho compara o potencial econômico do modelo ao de safáris africanos, com diferenças de escala e contexto. Para ele, o birdwatching pode ir além por ocorrer em áreas naturais e também urbanas, alcançar diversos habitats e mobilizar um hobby global.
“Há pesquisas que citam até 90 milhões de observadores. Além disso, há que considerar o público brasileiro, o turismo doméstico que é crescente. O WikiAves, portal brasileiro de aves, já registra mais de 6 milhões de fotografias em seus arquivos, o que dá uma boa dimensão do potencial doméstico.”
Agora para transformar todo esse potencial em desenvolvimento local, especialistas enfatizam a necessidade de regras de visitação, monitoramento de fauna, participação das comunidades e reinvestimento em manejo e infraestrutura.
Carvalho, por exemplo, defende políticas públicas que qualifiquem guias, lodges e serviços, fomentem abrigos de observação, aproximem unidades de conservação das comunidades do entorno e derrubem barreiras como a taxação de binóculos, apontada como entrave ao crescimento do setor.

Fonte: g1

Novidades

Obras de contenção de encostas e enchentes no Rio tem cronograma acelerado por causa dos efeitos do El Niño

21/07/2026

Algumas das obras estruturais realizadas pela Prefeitura do Rio tiveram o cronograma acelerado como ...

Recife vai criar modelo de coleta e reciclagem de embalagens

21/07/2026

O Recife passa a ocupar uma posição estratégica na transição para a economia circular no Brasil. Uma...

Amazônia fecha 1º semestre com menor desmatamento em 10 anos

21/07/2026

Os alertas de desmatamento na Amazônia, no primeiro semestre de 2026, apontam para uma tendência ani...

Amazônia pode não se recuperar de seca do último El Niño mesmo após sete anos, diz estudo

21/07/2026

Dois anos após as secas históricas na amazônia, um novo El Niño volta a ameaçar a floresta. A mata n...