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O afundamento do solo em mais de 25 centímetros por ano que ameaça relíquias do Império Persa

09/10/2025

As colunas e escadas de pedra esculpida do terraço de Persépolis, a capital cerimonial do antigo Império Persa (c.550 a.C.-330 a.C.), sobreviveram por 2,5 mil anos. Mas, agora, o solo em volta do local, que é Patrimônio Mundial da Unesco, está afundando.
O terraço é construído sobre rocha sólida. Algumas partes podem se mover em apenas alguns milímetros.
Mas as planícies suavemente inclinadas em volta das frágeis estruturas antigas de pedra se formaram com sedimentos que foram depositados pela água corrente. E, agora, elas estão afundando, dezenas de centímetros por ano.
O solo da planície de Marvdasht, no Irã, começou a se fragmentar e as rachaduras estão aumentando. Ela fica a menos de meio quilômetro do terraço e a até 10 metros de outro local histórico, Naqsh-e Rostam.
"Existem fissuras na terra, nas proximidades imediatas de Persépolis e Naqsh-e Rostam, que podem ser atribuídas ao grau de subsidência do terreno", a diferença de velocidade em que a terra está afundando, explica Mahmud Haghshenas Haghighi, do Instituto de Fotogrametria e Geoinformação da Universidade Leibniz, na Alemanha.
"Em relação a Persépolis, li notícias na imprensa sobre rachaduras e outros sinais de danos. Mas, sem um estudo abrangente, não podemos atribuí-los diretamente ao grau de subsidência."
"O terraço fica em uma formação geológica relativamente estável, no sopé da montanha", descreve ele.
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura classificou Persépolis como Patrimônio Mundial em 1979. Suas "ruínas magníficas" estão "entre os maiores sítios arqueológicos do mundo", segundo a Unesco.
"Conhecidas como a joia do conjunto aquemênida [persa] nos campos da agricultura, planejamento urbano, tecnologia de construção e arte, a cidade real de Persépolis é um dos sítios arqueológicos que não têm equivalente e representa um testemunho único de uma das mais antigas civilizações."
Aquela civilização se tornaria o Império Persa, frequentemente descrito como a primeira superpotência do mundo. No seu auge, ele cobria uma vasta área que se estendia desde a Líbia, no oeste, até a Índia, no leste.
Muitos dos outros 28 locais iranianos declarados como Patrimônio Mundial também ficam perto de áreas onde o solo está afundando. Eles incluem Pasárgada, a capital original do Império Persa, e a cidade histórica de Yazd.
As autoridades destacam riscos de subsidência em Isfahan, que também é Patrimônio Mundial da Unesco. Suas pontes e mesquitas ficam à beira de zonas de afundamento.
E a Ferrovia Transiraniana, com 1.394 km de extensão, atravessa diversas bacias que estão afundando, o que pode causar distorções nos trilhos. A estrada de ferro foi designada Patrimônio Mundial em 2021.
A subsidência da terra é lenta e sua detecção pode ser difícil, até que surjam as fissuras nas paredes e fundações.
Os pesquisadores usam radar e comparam as imagens ao longo do tempo.
"Esta tecnologia mede alterações muito sutis da superfície da Terra, até de poucos milímetros", explica o professor Mahdi Motagh, do Centro de Geociências GFZ Helmholtz da Universidade Leibniz.
Sua equipe observa diferenças preocupantes de profundidade de subsidência em Persépolis, Naqsh-e Rostam e em locais próximos.
Elementos escavados diretamente no calcário, como em Naqsh-e Rostam, por enquanto, permanecem estáveis, mas a planície próxima está afundando rapidamente.
"Na fronteira entre o local histórico rochoso e a planície, observamos um forte gradiente no campo de deslocamento, causando grandes rachaduras e fissuras na terra", explica o professor.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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