
30/09/2025
O Cerrado é conhecido como o “berço das águas” do Brasil.
O bioma abastece 8 das 12 principais bacias hidrográficas do país, entre elas a do rio São Francisco, e cumpre um papel essencial para garantir água nas torneiras de grandes cidades como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Salvador (BA).
Essa função se deve principalmente à vegetação do Cerrado.
As plantas do bioma têm raízes muito profundas, que buscam água no subsolo durante os períodos de seca e, quando a chuva retorna, devolvem parte desse recurso ao solo.
É esse mecanismo que ajuda a recarregar aquíferos gigantes, como o Guarani, um dos maiores reservatórios subterrâneos de água doce do planeta.
O problema é que mais da metade do Cerrado já foi desmatada.
Entre 2023 e 2024, a derrubada da vegetação lançou mais de 135 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera.
O impacto é direto: menos água disponível, mais calor e fumaça.
Sem a cobertura vegetal, a chuva diminui, rios enfraquecem e as queimadas se espalham com maior rapidez.
Para a cientista Mercedes Bustamante, referência em pesquisas sobre o bioma, a mensagem é clara: “os recursos naturais não têm fronteiras”.
Isso significa que o desmatamento no Cerrado não afeta apenas a região, mas também a Amazônia, o Pantanal e o abastecimento de água e energia em todo o Sudeste.
Há, no entanto, alternativas para reduzir a pressão sobre o bioma.
Técnicas de produção sustentável, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), já são aplicadas no país.
Esse sistema permite recuperar áreas degradadas, proteger o solo e manter a produção de alimentos.
Na prática, significa mais água retida no solo, menos fumaça de queimadas e maior segurança hídrica e alimentar.
Fonte: g1
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