
01/02/2022
O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) reforçou nesta segunda-feira a recomendação para que os banhistas evitem os trechos de praia que desde o fim de semana vem apresentando espumas de coloração diferente provocadas pelo acúmulo de algas. Quem compareceu ao Arpoador e Ipanema, na Zona Sul do Rio, neste domingo, pôde verificar o fenômeno. Nesta segunda-feira ainda havia acúmulo de espumas em pontos do Arpoador, perto das pedras, no Leme, e no Leblon.
No Leme, uma língua negra na areia em direção ao mar chamava atenção dos frequentadores, depois de uma noite de domingo com chuvas fortes em vários pontos da cidade. O Inea deve divulgar nesta terça-feira um novo boletim sobre as condições de banho.
O instituto colheu amostras da água, no fim de semana, cujo resultado está previsto para esta tarde. "Sobre a balneabilidade das praias, o Inea divulga duas vezes por semana o resultado e hoje terça-feira) estarão disponíveis as informações sobre as praias próprias e impróprias para o banho", informou por meio de nota.
Ainda no fim de semana, o Inea havia informado que o fenômeno foi provocado por uma acelerada floração de algas, possivelmente ocasionadas pelas altas temperaturas dos últimos dias. Ainda segundo o órgão, com a chegada da frente fria, a maré e os ventos trouxeram as algas, já em decomposição, para a arrebentação e as areias.
O oceanógrafo David Zee disse que o fenômeno é comum nesta época do ano, por conta da lua cheia, maré alta e das chuvas que levam as álgas e outras matérias orgânicas das lagoas e da baía para o mar. Ele explica que a espuma é formada, normalmente, pelo econtro da água agitada com as pedras. O oceanógrafo alerta aos banhistas para ficarem atentos à coloração:
— Quando a maré sobe ela enche as lagoas e a baía e quando ela desce num nível mais baixo, esvazia e tira todas as algas e matéria orgânica que estão proliferando naquele caldo, dentro de águas mais abrigadas. A maré e a chuva empurrou uma grande quantidade de águas turvas, contaminadas e cheias de algas se proliferando e, em função do calor e da salinidade ao encontrar o mar as algas começam a morrer e a se decompor. A passagem da frente fria deixou a água do mar muito agitada, jogando o caldo verde de encontro às pedras. Com relação às espumas, o normal e serem brancas. Quanto mais amarelo estiver a espuma, por exemplo, mais indícios de poluição tem a água, porque tem presença de esgoto — explicou o especialista que recomenda ao banhista evita o mergulho no mar, nessa situação.
Foi o que fez a moradora do Bairro de Fátima, Celestina Alves, de 65 anos, que voltou para casa mais cedo com os netos Enzo, de 5 anos, e Rafaela, de 2.
— Pensei que a situação tivesse melhorado e fui levar as crianças na praia. Aproveitei a segunda-feira, por ser um dia mais tranquilo e porque o sol não estava muito forte. Mas quando vi a situação do mar no Leme resolvi voltar mais cedo para casa com as crianças — disse.
Mesmo com a recomendação para evitar o mar, no Arpoador alguns surfistas desafiavam as ondas.
Fonte: O Globo
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