
01/02/2022
Milhares de artefatos foram recolhidos em um sítio arqueológico de 3.520 anos em Montes Claros de Goiás, na região oeste do estado, segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O coordenador de campo da pesquisa e arqueólogo, Matheus Araújo, da empresa Sapiens Arqueologia, explica que a descoberta foi feita após uma solicitação do órgão, para licenciamento ambiental em uma área de plantio de cana-de-açúcar.
“A gente está vibrando, porque não é fácil encontrar um sítio arqueológico com uma preservação tão grande. É uma conquista não só para a comunidade científica, mas para o público em geral, pois podemos falar um pouco de como nossos antepassados eram antes da chegada dos colonizadores”, comemora Matheus.
O coordenador explica que o achado é muito significante para a ciência. Segundo Matheus, é muito difícil encontrar sítios arqueológicos nas condições deste de Montes Claros de Goiás, onde há quantidade grande de vestígios, grupos distintos e datação. O arqueólogo do Iphan Goiás, Danilo Curado também ressalta a relevância da descoberta.
"É um conjunto de informações que o tornam único em termo de preservação. Ele representa a gênesis de ocupação do homem no estado de Goiás, por isso é tão simbólico e importante, por todo seu contexto e características, duas ocupações e itens importantes, como pinturas rupestres que mostram o pensar do homem na época", afirma Danilo.
O Iphan aponta que foram encontradas pinturas rupestres e 3.229 artefatos de pedra e cerâmica, como pedaços de vasilhames, ferramentas de corte e raspadores de pedra, além de restos ósseos de mamíferos e porções de carvão. No mesmo local, a pesquisa identificou a passagem mais recente de outro grupo de pessoas, antes da colonização, mas a data deste não pode ser confirmada, conforme o arqueólogo.
“A datação mais antiga é de 3.520 anos. Eram grupos humanos que não fabricavam muitos utensílios, mas lascavam pedras e rochas para caçar. Nós conseguimos a datação após encontrar amostras de carbono 14 em pedaços de carvão”, explica o profissional.
Após autorização do Iphan, as amostras de carvão foram encaminhadas para o Laboratório Beta Analityc, em Miami, nos Estados Unidos, para datação por radiocarbono, que confirmaram a “idade” do sítio.
Segundo o Iphan, o sítio foi identificado em 2019, mas o resgate, que é o salvamento do sítio, só foi feito em janeiro deste ano. O instituto explica que até um sítio ser descoberto ele passa por diversas fases, primeiro a identificação, depois a delimitação e, por fim, o resgate.
Matheus explica que, no geral, o salvamento consiste primeiro na retirada dos objetos dos locais escavados para estudo e produção de relatórios. Em seguida, os profissionais os higienizam, remontam vasilhames e encaminham tudo para um museu ou universidade. No caso do Toca da Anta, os itens foram enviados ao Museu Histórico de Jataí.
De acordo com o Iphan, o primeiro grupo que passou pelo sítio é considerado como de humanos “caçadores-coletores”. Já o segundo, de "horticultores-ceramistas" que, segundo o coordenador de campo Matheus, usavam os vasilhames para guardar água e comida.
“Para a segunda datação não achamos carvão para definir com certeza, mas relacionamos a uma tradição arqueológica que indicou que ele não é mais antigo que o primeiro”, pontua Matheus.
Matheus explica que a pesquisa conseguiu identificar algumas amostras de ‘ocre’, uma espécie de mineral bem vermelho, que indicou um caminho para a datação. O levantamento apontou que o material pode ser relacionado ao grupo de 3.520 anos, mas o coordenador não descarta que o outro grupo possa ter feito.
“Essas pinturas estavam bastante desgastadas, porque o abrigo não tinha muita proteção de vegetação e o sol tem incidência na parte da manhã inteira, fora a ação chuva e vento. Mas identificamos padrões geométricos e cruciformes”, fala Matheus.
A matéria completa pode ser lida no g1
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