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Fogão a gás polui o ambiente até mesmo apagado, indica estudo

01/02/2022

Fogões a gás emitem quantidades importantes de metano quando estão sendo acesos e mesmo quando estão desligados, segundo um estudo recente que vem se juntar a uma discussão crescente sobre os efeitos que os aparelhos domésticos a gás têm sobre a saúde humana e a mudança climática.
Baseado em medições de fogões, fornos e grills usados em 53 residências na Califórnia, o pequeno estudo estimou que os fogões emitem na forma de metano não queimado, um potente gás causador do efeito estufa, entre 0,8% e 1,3% do gás natural que consomem. Ao longo de um ano normal, três quartos dessas emissões ocorrem quando os aparelhos estão desligados, mostrou o estudo, o que sugere a possibilidade de vazamentos nas conexões nas casas ou nas ligações com o gás de rua.
O estudo estimou que ao longo de um período de 20 anos, as emissões de fogões nos Estados Unidos podem ter o mesmo efeito de aquecimento do planeta quanto meio milhão de carros movidos a gasolina.
"As pessoas são muito apegadas ao fogão", disse Eric D. Lebel, cientista do instituto de pesquisas PSE Health Energy e autor principal do estudo, publicado na quinta-feira (27) no periódico especializado Environmental Science & Technology. "Preparar comida num fogão a gás ou sobre uma chama aberta é algo muito próprio dos humanos."
Mas, segundo ele, cada vez mais evidências indicam que os fogões "estão prejudicando a saúde e o clima ao mesmo tempo".
Um número crescente de cidades americanas, principalmente em estados de maioria democrata, como Califórnia e Massachusetts, vêm abandonando o uso do gás nas cozinhas e no aquecimento doméstico.
No mês passado a prefeitura de Nova York proibiu o uso de gás em todos os edifícios novos construídos. Mas pelo menos 20 estados com predomínio republicano proibiram as prefeituras de limitar o uso de gás. Em muitos casos, os estados receberam o apoio de empresas de gás natural e concessionárias que veem a eletrificação como ameaça às suas margens de lucro.
Em 2015, o último ano para o qual existem dados detalhados vindos de sondagens governamentais, havia mais de 40 milhões de fogões a gás em residências americanas. Casas e prédios são responsáveis por estimadas 13% das emissões de gases estufa do país.
O metano é o principal componente do gás natural e, se não é queimado quando é liberado, pode aquecer a Terra 80 vezes mais que o mesmo volume de dióxido de carbono ao longo de um período de 20 anos. O metano também contribui para a poluição por ozônio troposférico, que pode provocar dificuldades respiratórias e outros problemas de saúde.
Nos últimos anos os vazamentos de metano de instalações a óleo e gás vêm atraindo atenção crescente, e esforços estão sendo feitos para fechar milhares de poços de petróleo e gás inativos em todo o país, que emitem metano. Mas as emissões vindas de dentro das casas não têm sido igualmente pesquisadas, disse Rob Jackson, geocientista da Universidade Stanford que participou do novo estudo.
Lebel, Jackson e dois coautores usaram lonas de plástico para vedar cozinhas em residências particulares, imóveis alugados pela Airbnb e imóveis oferecidos para venda ou aluguel. Descobriram que o ato de acender uma boca de um fogão a gás emite em média a mesma quantidade de metano que deixar a boca ligada por dez minutos. Os fornos a gás emitem mais metano que as bocas dos fogões, eles constataram, isso porque os fornos acendem e apagam sua boca principal periodicamente para manter a temperatura desejada.
Os pesquisadores também mediram emissões ao longo de períodos de cinco a dez minutos enquanto os fogões estavam desligados. Mas não tentaram identificar as fontes dos vazamentos de gás.
"O vazamento de metano é um subproduto inevitável da cadeia de suprimento de gás natural", disse Jackson. "Cada conexão, cada tubulação, tem o potencial de vazar, especialmente ao longo do tempo, já que os fogões ficam nas casas por anos."
Lebel disse que nenhum dos vazamentos de gás medidos pelos pesquisadores atingiu uma concentração que pudesse provocar explosões.
Os pesquisadores descobriram que, quanto às emissões de metano, a performance de fogões mais velhos não diferia da dos aparelhos mais novos. E modelos mais caros não tinham desempenho melhor que os mais baratos.
Mas eles admitiram que gostariam de ter feito testes em mais casas de pessoas que não podem arcar com a manutenção ou substituição de aparelhos antigos. Isso os ajudaria a ter uma ideia melhor dos efeitos desproporcionais das emissões de gás sobre famílias de baixa renda, disseram.

Leia a matéria completa na Folha de S. Paulo

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