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Últimos 7 anos foram os mais quentes já registrados, diz agência europeia

11/01/2022

Os últimos sete anos foram os mais quentes já registrados globalmente "por uma margem clara", comunicou o serviço de monitoramento do clima da União Europeia (UE) nesta segunda-feira (10). Análises preliminares apontaram que a temperatura global em 2021 ficou 1,2 °C acima dos níveis pré-industriais.
Em sua avaliação anual mais recente, o Copernicus Climate Change Service (C3S) confirmou que o ano de 2021 se juntou à sequência de calor ininterrupta desde 2015 – e alertou também sobre aumentos nas concentrações de metano na atmosfera.
A pesquisa do C3S chegou à conclusão de que o ano passado foi o quinto mais quente já registrado – ligeiramente mais quente do que 2015 e 2018. As medições remontam a meados do século 19.
"O ano de 2021 foi mais um de temperaturas extremas, com o verão mais quente da Europa, ondas de calor no Mediterrâneo, sem mencionar as altas temperaturas sem precedentes na América do Norte", disse o diretor do C3S Carlo Buontempo.
"Esses eventos são um forte lembrete da necessidade de mudar nossos caminhos, dar passos decisivos e eficazes em direção a uma sociedade sustentável e trabalhar para reduzir as emissões de carbono", afirmou Buontempo.
O relatório apontou que diversos países ao redor do mundo foram atingidos por desastres climáticos relacionados ao aquecimento global nos últimos anos. Entre os exemplos citados estão incêndios florestais recordes na Austrália e na Sibéria, uma onda de calor devastadora na América do Norte e chuvas torrenciais que causaram enormes inundações na Ásia, África, nos EUA e na Europa.
A agência europeia C3S também monitorou as concentrações atmosféricas dos gases de efeito estufa e concluiu que houve um aumento de dióxido de carbono e metano e afirmou não haver sinais de uma desaceleração.
A concentração de metano apresentou uma alta "muito substancial" e alcançou um recorde anual de cerca de 1.876 partes por bilhão (ppb). As taxas de crescimento para 2020 e 2021 foram de 14,6 ppb e 16,3 ppb, respectivamente. Os valores correspondem a mais do que o dobro da taxa média de crescimento anual observada nos 17 anos anteriores.
No entanto, segundo o C3S, uma série de fontes naturais e antropogênicas tornou difícil identificar por qual razão houve um aumento tão acentuado nos últimos anos. O metano (CH4) é o gás mais responsável pelo aquecimento global depois do dióxido de carbono (CO2). Embora tenha vida curta na atmosfera, o metano é muitas vezes mais potente do que o CO2.
As fontes naturais de metano incluem as zonas úmidas do globo terrestre, enquanto as fontes induzidas pelos seres humanos são as extrações de gás natural e a produção de petróleo, mineração de carvão e aterros sanitários, bem como arrozais, pecuária e manuseio de estrume.
Vincent-Henri Peuch, diretor do serviço de monitoramento Copernicus, que tem catalogado o aumento dos gases de efeito estufa, disse que as evidências observacionais são cruciais para direcionar os esforços para prevenir uma "catástrofe climática".
Reduzir a quantidade de metano que chega à atmosfera resultaria rapidamente numa desaceleração do aumento das temperaturas e ajudaria a fechar a lacuna entre a meta do Acordo de Paris de um limite de 1,5 °C no aquecimento e os 2,7 °C para os quais as previsões atuais estão apontando – mesmo que todas as nações honrassem suas promessas de redução de carbono.
Na COP26 no ano passado, cerca de 100 nações aderiram a uma inciativa para reduzir as emissões de metano em pelo menos 30% nesta década. As indústrias de petróleo e gás têm o maior potencial para reduções rápidas, especialmente por meio de detecção e reparo de vazamentos de gás durante a produção e o transporte.
Embora o aquecimento global possa parecer gradual, seu impacto em eventos extremos é dramático, segundo Rowan Sutton, do Centro Nacional de Ciências Atmosféricas da Universidade de Reading, no Reino Unido.
"Devemos ver os eventos recordes de 2021, como a onda de calor no Canadá e as inundações na Alemanha, como um alerta para que políticos e a opinião pública acordem para a urgência da emergência climática", disse Sutton. "Além disso, os contínuos aumentos nas concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera indicam que as causas subjacentes ainda precisam ser abordadas."

Fonte: g1

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