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Resgatado há um mês com fratura na pata, filhote de onça-parda se recupera, mas deformidades impedem sua reinserção na natureza

06/01/2022

Após traumas inimagináveis e graves ferimentos, um filhote de onça-parda (Puma concolor) se recupera em meio a muito carinho e cuidados. Acolhida há 20 dias no Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas) instalado no Parque Ecológico da Cidade da Criança, em Presidente Prudente (SP), a bebê, batizada com o nome de Nala, não poderá voltar à natureza devido a más formações no corpo e os profissionais estudam como promover um futuro feliz para a pequenina, que pertence a uma espécie considerada vulnerável e ameaçada de extinção.
Agora com aproximadamente 60 dias de vida, Nala foi encaminhada bem novinha e debilitada ao complexo, segundo lembrou a médica veterinária Erica Silva Pellosi. O felino foi levado já operado a Presidente Prudente de outro local, uma clínica particular, e ainda está em um processo de recuperação.
Exames foram realizados durante os dias de cuidados no Cetas e detectaram outras deformidades, provavelmente congênitas, na conformação da fêmea. “É um animal que apresenta as perninhas de trás um pouquinho tortas”, contou Erica.
Além disso, há a patinha da frente operada, que vai ficar com alguns tipos de sequelas, conforme explicou a veterinária. “Então, ela é um animal que requer um tratamento especial, tanto de adaptação ao novo ambiente como de cuidados com essas lesões”, afirmou ao g1.
Nala está se adaptando bem, principalmente às pessoas, e conforme ela for crescendo será alterado o seu manejo.
“Ela ainda está sendo amamentada. Logo a gente vai introduzir o manejo alimentar dela intercalando alimentação com as mamadeiras. Vamos entrar também com a fisioterapia nesses membros para ver se a gente consegue melhorar um pouco essa conformação dela, e ir acompanhando toda essa lesão e esses traumas que ela sofreu no decorrer do tempo”, explicou ao g1 a médica veterinária.
O filhote foi resgatado com uma grave fratura e desnutrido em um canavial, na zona rural de Junqueirópolis (SP), no dia 29 de novembro. A Polícia Militar Ambiental informou que trabalhadores encontraram a fêmea sozinha nas proximidades de uma usina canavieira.
A polícia relatou que o animal estava machucado, tinha um pequeno corte e não conseguia mexer uma das patas. Imediatamente, o felino foi levado para uma clínica veterinária particular.
“A gente só cria hipóteses, mas provavelmente ela foi um animal que a mãe pode até ter abandonado justamente por conta dessas deformidades que ela tem, provavelmente deformidades congênitas, e ela acabou sofrendo um ferimento grave ou por um ataque de animal ou por um atropelamento ou por uma queda, por ser um animal ainda muito bebê. A gente não consegue imaginar o que gerou uma fratura tão grande nesse bracinho da frente dela”, declarou Erica ao g1.
Essas lesões provavelmente vão deixar alguma sequela, segundo comentou a veterinária, e isso impossibilita muito a reintrodução desse animal na natureza.
“Ela não vai ter os movimentos completos, como seriam necessários para um animal ser reintroduzido [na natureza]. E todo o prognóstico depende muito também, não só dos nossos esforços, mas da resposta dela aos nossos de tratamentos. Ainda é muito cedo pra gente falar como é que esse animal vai ficar”, afirmou.

A matéria na íntegra pode ser lida no g1

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