
06/01/2022
Pescadores e catadores de marisco do bairro do Lobato, no subúrbio ferroviário de Salvador, reclamam que a quantidade de lixo e entulho descartados no manguezal da região tem destruído a fauna e prejudicado a economia de quem vive dos frutos do mar.
Pneus, papelão, vidro e outros materiais domésticos são constantemente retirados da água pelos trabalhadores.
osé Augusto é um dos marisqueiros afetados pelo acúmulo de descartes no local. Segundo ele, até uma porta de geladeira e um sofá já foram encontrados nas águas da região e com frequência os moradores fazem mutirões para retirar os materiais.
“É muito lixo! Você vê aqui seis sacos [com lixo recolhido]. E só foi uma hora aí dentro catando lixo. Até cama de casal eu já trouxe rebocada no meu barco. O ser humano está cada vez destruindo o meio ambiente, o mar”, disse.
O marisqueiro disse que, em épocas em que o manguezal era mais limpo, conseguia pescar siri e caranguejo em quantidades bem maiores do que atualmente. Ele cobrou conscientização da população no cuidado com as águas da região.
“Gente, vamos ter consciência. Saia para passear no mar, mas não jogue lixo no mar. Não joguem, não, vocês estão destruindo. Vocês mesmos reclamam do que a natureza está fazendo. A natureza dá, mas ela cobra. Vamos ter consciência. Saia para o mar, vá curtir, mas traga o seu lixo para casa”, apelou o trabalhador.
Além do lixo descartado pelas pessoas próximas ao manguezal, o esgoto também é um problema para quem precisa da pescaria. José Augusto disse que, por causa dos dejetos, mariscos são mortos e a quantidade de peixes e caranguejos diminuiu.
“O esgoto matou os mariscos também. Não tem mais ostra no mangue. Hoje não tiramos mais sururu do mangue. Caranguejo, tem poucos, porque os plásticos tapam os buracos dos mariscos e eles morrem. Cada dia está mais difícil a gente se sustentar do mar”, disse.
A reportagem da TV Bahia entrou em contato com a Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) e a Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) para ter detalhes sobre a reclamação dos pescadores e aguarda um posicionamento.
Na segunda-feira (3), primeiro dia útil do ano, uma grande quantidade de lixo foi encontrada na praia de Piatã, em Salvador após o domingo de sol e festas de réveillon na orla de Salvador.
Os agentes de limpeza encontraram pratos de isopor, palitos e garrafas de vidro. Além do lixo solto na areia, os agentes recolheram sacolas plásticas, com lixo, e que foram abandonadas no local.
Um banhista que caminhava na praia disse que o acúmulo de lixo e descarte de resíduos na faixa de areia é constante. Segundo ele, os agentes da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) fazem a coleta, mas as pessoas voltam a sujar a praia, principalmente aos finais de semana.
“Toda segunda-feira é o dia que está mais sujo aqui. Com frequência. Dou até um agradecimento ao pessoal da Limpurb (Empresa de Limpeza Urbana de Salvador), que fazem um serviço muito bom. Voce chega pela manhã, eles fazem um paliativo, mas n outro dia é a mesma coisa. Não tem jeito”, disse o homem.
Imagens registradas pela equipe da TV Bahia mostraram que parte dos resíduos estavam pouco à frente da maré, na faixa de areia. O que indica que mais lixo havia sido alcançado pela maré e “puxado” para dentro da água.
“Quando a maré enche, carrega o lixo para dentro do mar e fica essa sujeira toda aqui”, acrescentou o banhista.
Trabalhadores e donos de barraca tentam auxiliar o trabalho com o recolhimento da coleta do lixo, que atrai animais e contribui para a poluição do mar.
A mesma cena foi registrada na praia de São Tomé de Paripe, com muito lixo acumulado na faixa de areia.
De acordo com a Lei de Crimes Ambientais, causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana, ou que provoquem a mortandade de animais ou a destruição significativa da flora pode ser punida com reclusão, de um a quatro anos, e multa.
Fonte: g1
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