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🍯 Por que o mel é um superalimento para as abelhas 🐝

04/01/2022

Não é surpresa para ninguém que as abelhas sabem muito sobre o mel.
Elas não são apenas produtoras como também consomem o mel — e de forma muito sofisticada. Ofereça a uma abelha doente diferentes variedades de mel, por exemplo, e ela escolherá aquela que melhor combate a sua infecção.
Já as pessoas têm muito a aprender com as abelhas com relação às características nutricionais do mel. Poucas décadas atrás, a maioria das listas de "alimentos funcionais" — aqueles que oferecem benefícios à saúde além da nutrição básica — não mencionava o mel, segundo a entomologista May Berenbaum, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, nos Estados Unidos. "Até os apicultores — e, com certeza, os cientistas que estudavam as abelhas — consideravam o mel nada mais do que água com açúcar", segundo ela.
Daquela época até hoje, muitas pesquisas revelaram que o mel é repleto de substâncias químicas vegetais que influenciam a saúde das abelhas. Os componentes do mel podem ajudar as abelhas a viver por mais tempo, aumentar sua tolerância a condições desfavoráveis, como o frio intenso, e ampliar sua capacidade de combater infecções e curar feridas. As descobertas indicam formas de ajudar as abelhas, que vêm sofrendo muito nos últimos anos com parasitas, exposição a pesticidas e perda de habitat.
"É simplesmente uma substância notável e as pessoas talvez ainda não a valorizem muito", segundo Berenbaum.
O mel é saboroso na torrada ou misturado ao chá, mas ele é muito mais que um adoçante.
É claro que o líquido viscoso é composto principalmente de açúcar, que os membros da colmeia usam para o seu sustento. Mas ele também compreende enzimas, vitaminas, sais minerais e moléculas orgânicas que dão a cada tipo de mel suas características exclusivas e oferecem uma série de benefícios para a saúde das abelhas.
Diversos insetos podem produzir mel: as abelhas mamangabas, as abelhas sem ferrão e até vespas melíferas — mas somente as abelhas melíferas, da espécie Apis, produzem mel suficiente para abastecer as prateleiras das mercearias. Essa capacidade não surgiu da noite para o dia; ela é o resultado de milhões de anos de evolução.
As abelhas se distinguiram das vespas há cerca de 120 milhões de anos, durante um pico da evolução e difusão das angiospermas (plantas produtoras de flores). Essa diversidade da flora - além de uma mudança no comportamento das abelhas, que passaram a alimentar as larvas com pólen e não insetos - estimulou a evolução das cerca de 20 mil espécies de abelhas conhecidas hoje em dia.
Especializar-se na fabricação de mel exigiu mais algumas habilidades químicas e de comportamento. As abelhas começaram a adicionar um pouco de néctar ao pólen e moldá-lo na forma de "pacotes", para facilitar o transporte. Elas também desenvolveram glândulas de secreção de cera, que forneceram uma forma de armazenar separadamente o néctar líquido e o pólen sólido.
"A cera é um material de construção muito flexível", segundo Christina Grozinger, entomologista da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos EUA, que estuda os mecanismos responsáveis pelo comportamento social e a saúde das abelhas.
Para formar um favo de mel, as abelhas melíferas moldam a cera em hexágonos, que são o formato mais eficiente para armazenar uma substância, já que eles se unem firmemente entre si. "É um feito da engenharia", segundo Grozinger.
A construção de muitas células pequenas e uniformes apresenta outra vantagem: superfícies maiores significam evaporação mais rápida da água - e menos água significa menos crescimento de micróbios.
O processo de produção do mel que irá preencher as células do favo começa quando a abelha colheitadeira sorve o néctar. Pode parecer que ela está se alimentando, mas o lanche açucarado não vai para o seu estômago — pelo menos não no sentido tradicional. Ela armazena o néctar no papo, ou na vesícula melífera, onde ele é misturado com diversas enzimas.

Leia a matéria na íntegra no g1

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