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União Europeia pretende classificar gás natural e nuclear como “energias verdes”

04/01/2022

Nas últimas horas de 2021, a União Europeia revelou um plano de rotulagem ecológica há muito esperado. O plano pretende incluir usinas nucleares e usinas de gás natural como “energias verdes”, o que facilitaria o acesso dessas tecnologias ao financiamento dedicado a instalações que ajudam a combater as mudanças climáticas. A ideia é duramente criticada por ambientalistas.
O projeto está em discussão há meses e o esboço do texto, ainda provisório, foi enviado aos 27 Estados-membros pouco antes da meia-noite de 31 de dezembro.
A Comissão "iniciou consultas na última sexta-feira sobre um texto preliminar" para incluir "certas atividades de gás e nucleares" em sua categoria verde, confirmou o executivo da UE em uma declaração.
O documento estabelece os critérios para classificar investimentos em usinas nucleares ou de gás natural para geração de eletricidade como "sustentáveis". O projeto está de acordo com o objetivo europeu de alcançar a neutralidade de carbono até 2050.
Países europeus em busca da substituição de suas altamente poluentes termelétricas a carvão, como a Polônia e a República Tcheca, aguardavam ansiosamente a proposta. Com a inclusão das usinas nucleares e de gás natural na proposta, os países poderão contar com financiamento europeu para a construção de novas instalações.
O projeto também agrada a França, que acaba de assumir a presidência rotativa da UE, e pretende retomar seu parque energético nuclear, uma fonte de eletricidade considerada pelo governo Macron como estável e de baixa emissão de carbono.
Ambientalistas, no entanto, se opõem a esta classificação, argumentando que a produção de eletricidade a partir do gás natural emite CO2 e que as usinas nucleares produzem resíduos radioativos.
Sob a liderança da Alemanha, que pretende desligar todas as suas usinas nucleares até o final de 2022, um pequeno grupo de países, que inclui a Áustria e Luxemburgo, tenta excluir as fábricas com urânio da proposta.
O plano da Comissão de incluir o gás e o nuclear na classificação verde é "um erro", disse a Ministra do Meio Ambiente alemã Steffi Lemke ao grupo de mídia Funke. A tecnologia nuclear "que pode levar a desastres ambientais devastadores - em caso de acidentes graves e deixa para trás grandes quantidades de resíduos altamente radioativos e perigosos não pode ser sustentável", disse ela.
Os países que defendem as termelétricas a gás ou as usinas nucleares sustentam sua opção no fato de que as energias que hoje são consideradas renováveis pela Comissão Europeia, como a eólica e a solar, apresentam uma produção intermitente que pode não ser suficiente para atender, sozinhas, as necessidades europeias de eletricidade.
A proposta de Bruxelas estabelece condições para a inclusão do nuclear e do gás, segundo a agência AFP, incluindo um limite de tempo.
Para a construção de novas usinas nucleares, os projetos terão de ter obtido a licença de construção antes de 2045. Também serão necessárias garantias relativas ao tratamento de resíduos e à correta destinação dos resíduos nucleares no momento de desmantelamento das instalações.
Quanto ao gás, descrito como uma "fonte de energia de transição", os investimentos serão reconhecidos como "sustentáveis" para usinas com baixa emissão de CO2.
Os Estados-membros e especialistas consultados pela Comissão têm agora cerca de duas semanas para solicitar alterações ao documento. O texto final está previsto para ser publicado em meados de janeiro.

Fonte: G1

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