
15/12/2020
Anfitrião de uma importante cúpula global sobre o clima, o governo do Reino Unido anunciou no último sábado (12) que vai parar de apoiar diretamente projetos de combustíveis fósseis no exterior.
Em outras palavras, a mudança significa que o Reino Unido não financiará mais projetos de exportação ou produção de petróleo, gás ou carvão pelo mundo, informa o correspondente Matt McGrath, da BBC News.
O anúncio aconteceu no momento em que Reino Unido, França e ONU realizam uma reunião virtual sobre o clima.
Aproximadamente 75 líderes mundiais devem participar do encontro, que acontece 5 anos depois da assinatura do acordo de Paris, que reúne compromissos globais de reduções de emissões de gases poluentes.
Historicamente visto como uma importante liderança global sobre o tema, o Brasil, até a noite de sexta-feira (11), constava fora da programação por não ter apresentado metas ambientais consideradas suficientemente ambiciosas, segundo agências internacionais.
Nações como Rússia, EUA e México também não estão na programação.
O fato de o governo do Reino Unido apoiar projetos de combustíveis fósseis no exterior por meio de financiamento à exportação, financiamento de ajuda e promoção comercial gera controvérsia há anos.
À medida que o país se afastou da exploração de carvão, petróleo e gás "dentro de casa", o financiamento de projetos do tipo no exterior era descrito como "hipócrita".
Agora o primeiro ministro Boris Johnson concordou em encerrar esta prática o quanto antes.
"As mudanças climáticas são um dos grandes desafios globais de nossa época e já estão ceifando vidas e meios de subsistência em todo o mundo. Nossas ações como líderes devem ser movidas não pela timidez ou cautela, mas pela ambição em escala verdadeiramente grande", disse Johnson.
"É por isso que o Reino Unido recentemente abriu caminho com um novo e ousado compromisso de reduzir as emissões em pelo menos 68% até 2030, e tenho o prazer de dizer hoje que o Reino Unido encerrará o apoio do contribuinte a projetos de combustíveis fósseis no exterior assim que possível."O anúncio foi feito no momento em que o Reino Unido hospeda uma cúpula sobre ambições climáticas.
O encontro virtual está acontecendo depois que a pandemia resultou no adiamento da Conferência climática que aconteceria em Glasgow neste ano.
O Reino Unido diz que a curta cúpula de sábado (12), voltada para a ação, deve valorizar novos compromissos firmados por países.
Entre os participantes estão o Secretário-Geral das Nações Unidas António Guterres e o Presidente Emmanuel Macron da França. O Papa Francisco também falará no encontro.
O Reino Unido apresentará seu novo compromisso sobre projetos de combustíveis fósseis no exterior, bem como uma nova meta de corte de carbono de 68% até 2030, anunciada na semana passada pelo primeiro-ministro.
A União Europeia também apresentará uma nova meta para 2030 de um corte de 55% nas emissões, acordada após longas negociações nesta semana.
A China e a Índia também participarão, embora não ainda esteja claro o alcance de seus novos compromissos.
Como o Brasil, a Austrália também não deve participar do encontro, assim como Rússia, África do Sul e Arábia Saudita .
"De um ponto de vista processual simbólico, é bom ter todos a bordo", disse o professor Heike Schroeder, da Universidade de East Anglia.
"Mas, de uma forma proativa, criando algum tipo de abordagem de senso de urgência, também faz sentido dizer que ´só queremos ouvir de você se tiver algo de novo a dizer´."
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