
01/12/2020
Segundo estimativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o mercado mundial de biodefensivos, estimado em US$ 5 bilhões, deverá crescer 70% em 2020. Isso porque pessoas em todo o mundo andam privilegiando a alimentação saudável e a responsabilidade socioambiental dos produtores de alimentos, que, pressionados, também tentam reduzir o uso de defensivos químicos tradicionais. De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o Brasil é responsável por 1/5 do consumo mundial dos produtos químicos destinados à agricultura e cerca de 30% dos agroquímicos utilizados no País foram classificados como muito perigosos. Portanto, os produtos fitossanitários biológicos, além de apresentarem baixa periculosidade à saúde humana e ambiental, minimizam os efeitos econômico-ambientais nocivos aos ecossistemas agrícolas, como os fenômenos da resistência de pragas, ressurgência de pragas, surgimento de pragas secundárias e quebra da cadeia alimentar decorrente do uso contínuo de fitoquímicos. Além disso, contribuem ainda para a qualidade de vida dos produtores, trabalhadores e residentes de áreas rurais.
Com o objetivo de conquistar esse mercado em expansão, um grupo de pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) desenvolveu um inseticida biológico à base de fungo. De acordo com a bióloga e doutora em Entomologia Aline Teixeira Carolino, o maior diferencial e vantagem do Bovekill é o fato de o produto ser capaz de controlar todas as fases de desenvolvimento dos insetos (ovo, larva, pupa e adulto). Além disso, os pesquisadores ainda conseguiram agregar capacidade termorreguladora ao bioinseticida, o que é benéfico para minimizar os efeitos da insolação nas lavouras.
Pensando na tendência de cultivo urbano e doméstico de hortas e plantas ornamentais, a empresa MicrobiAll também desenvolveu a linha jardinagem do Bovekill, específico para este fim, em embalagens menores. “O edital da FAPERJ não podia ter chegado em melhor momento, pois já havíamos desenvolvido e testado o produto, e agarramos essa oportunidade para montarmos a empresa e a fábrica”, diz Aline, diretora operacional da empresa, referindo-se ao programa Doutor Empreendedor: Transformando Conhecimento em Inovação, lançado pela Fundação no final de 2019, que investirá R$ 5 milhões para que doutores se tornem empreendedores.
Os sócios da nova empresa, que inclui Thais Berçot, como diretora de marketing, Thalles Mattoso, como diretor comercial e os professores Richard Samuels e Gerson Silva como colaboradores, contará com bolsa de doutor empreendedor de R$ 4,1 mil, bolsa de Iniciação Tecnológica por até 24 meses para um integrante da equipe e auxílio de R$ 50 mil para aquisição de equipamentos e demais itens necessários ao desenvolvimento inicial da empresa. Em contrapartida, a empresa, que receberá orientação da equipe da incubadora TecCampos, estará sediada na Uenf, que teve sete projetos de profissionais com doutorado aprovados no edital.
O inseticida tem como princípio ativo o fungo Beauveria bassiana, comprovadamente eficiente para controle de pragas de diversas culturas como mosca branca, pulgão, cochonilhas, trips, ácaro rajado, percevejos, lagartas desfolhadoras, brocas, gorgulho, traça do tomateiro e lagarta do cartucho.
Os sócios fizeram uma pesquisa de mercado em Campos dos Goytacazes anterior ao desenvolvimento do produto e ficaram surpresos com o desconhecimento dos agricultores acerca dos produtos para o controle biológico de pragas e doenças nas lavouras. “Nosso custo é competitivo e o produtor ainda tem ganho de proteção ambiental, sua saúde preservada e nenhum efeito residual sobre o produto cultivado, além da maior valorização do produto final no mercado”, explica Aline.
Saiba mais no site da Faperj
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