
17/11/2020
A política agressiva da China de plantio de árvores provavelmente está desempenhando um papel significativo na moderação dos impactos climáticos do país.
Uma equipe internacional identificou duas áreas chinesas onde a escala de absorção de dióxido de carbono por novas florestas foi subestimada.
Juntas, essas áreas respondem por pouco mais de 35% de toda a captura de carbono da China, diz o grupo.
A análise dos pesquisadores, baseada em observações terrestres e por satélite, foi publicada na revista científica Nature.
O sequestro de carbono ocorre quando um reservatório — como florestas — absorve mais carbono do que o libera, reduzindo assim a concentração de CO2 na atmosfera.
A China é a maior emissora mundial de dióxido de carbono produzido pelo homem, responsável por cerca de 28% das emissões globais.
Mas, recentemente, o país declarou a intenção de atingir o pico dessas emissões antes de 2030 e então passar para a neutralidade de carbono até 2060.
As especificações de como o país alcançaria essas metas não são claras, mas inevitavelmente devem incluir não apenas reduções drásticas no uso de combustíveis fósseis, como também formas de retirar o carbono da atmosfera.
"Alcançar a meta de carbono zero da China até 2060, recentemente anunciada pelo presidente chinês Xi Jinping, envolverá uma grande mudança na produção de energia e também o crescimento de reservatórios de sequestro de carbono sustentáveis", diz o coautor do estudo, Yi Liu, do Instituto Atmosférico Física (IAP), da Academia Chinesa de Ciências, em Pequim.
"As atividades de florestamento descritas no artigo [da Nature] desempenharão um papel importante para atingir essa meta", acrescenta ele à BBC News.
O aumento das matas na China já é evidente há algum tempo. Bilhões de árvores foram plantadas nas últimas décadas para combater a desertificação e a perda de solo e para estabelecer indústrias vibrantes de madeira e papel, mas até agora estimava-se que seu efeito tivesse sido pouco exprressivo.
O novo estudo refina as estimativas de quanto CO2 todas essas árvores extras podem absorver à medida que crescem.
A última análise examinou uma série de fontes de dados. Eles compreendiam registros florestais, medições de monitoramento remoto por satélite da vegetação verde, disponibilidade de água no solo; e observações de CO2, novamente feitas do espaço, mas também por amostragem direta do ar no nível do solo.
"A China é um dos maiores emissores globais de CO2, mas o quanto é absorvido por suas florestas é muito incerto", diz o cientista do IAP Jing Wang, principal autor do relatório.
"Trabalhando com dados de CO2 coletados pela Administração Meteorológica Chinesa, fomos capazes de localizar e quantificar quanto CO2 é absorvido pelas florestas chinesas."
As duas áreas de sequestro de carbono até então subestimadas estão concentradas no sudoeste da China, nas províncias de Yunnan, Guizhou e Guangxi; e seu nordeste, particularmente nas províncias de Heilongjiang e Jilin.
A biosfera terrestre sobre o sudoeste da China, de longe a maior região individual de absorção, representa um sequestro de cerca de -0,35 petagramas por ano, representando 31,5% do sequestro de carbono terrestre chinês.
Um petagrama equivale a 1 bilhão de toneladas.
A biosfera terrestre sobre o nordeste da China, dizem os pesquisadores, é sazonal, por isso absorve carbono durante a estação de cultivo, mas emite carbono em outras ocasiões. Seu saldo líquido anual é de aproximadamente — 0,05 petagramas por ano, representando cerca de 4,5% do sequestro de carbono da China.
A matéria completa pode ser lida no G1
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